sexta-feira, 2 de abril de 2010

Por que temos câncer?

Poucas coisas são mais malucas que um tumor - um pedaço do corpo que tenta dominar o organismo inteiro.

Um terço de nós, independentemente de alimentação, exercícios físicos ou bons hábitos, pode morrer de câncer. É uma situação que parece não fazer o menor sentido, e não só pelo sofrimento físico e emocional que a doença traz. Afinal de contas, o câncer não passa de uma guerra civil no interior do próprio organismo: algumas células de repente resolvem se multiplicar de forma desordenada e descontrolada. É uma péssima idéia, inclusive para elas: mesmo que dominem o corpo, o único resultado dessa vitória é a morte do organismo – e delas, que afundam junto. Então, por que diabos essa bagunça toda acontece?

Porque, há mais de 600 milhões de anos, os ancestrais de todos os animais vivos hoje, inclusive nós, passaram a viver como um conjunto de muitas células. Essa é a principal explicação proposta pelos biólogos hoje e ganha força justamente por levar a evolução em conta.

Um dos grandes problemas para um ser de muitas células, como nós, é coordenar, tintim por tintim, a formação do organismo, que depende tanto da multiplicação celular quanto da morte celular programada. É só pensar nos espaços entre os dedos: se muitas células não tivessem se suicidado na hora certa, todos nós teríamos os dedos “colados”. O processo envolve uma coreografia genética precisa: se, por algum motivo, o DNA de alguma das células programadas para morrer sofrer uma modificação inesperada, a célula em questão pode simplesmente se multiplicar fora de hora. E, pior ainda, pode fazer isso assumindo características que não têm nada a ver com o lugar do corpo onde está, ou então invadir outros órgãos em sua ânsia de virar muitas células. E nasce um tumor.

CÉLULA TRONCO “DO MAL”

O biólogo Oswaldo Okamoto, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), conta que esse processo parece ser controlado por um tipo de célula-tronco – pois é, a mesma categoria que inclui as supostas células milagrosas buscadas por médicos para reparar órgãos. Todas as partes do organismo precisam de células-tronco, que ficam num estado menos especializado, prontas a se multiplicar para corrigir uma lesão, digamos. O problema é que, se elas saem do controle, passam a usar seu potencial multiplicador para o mal, originando o câncer.

Isso explica por que é difícil eliminar a doença. “A volta de um tumor após o tratamento é freqüente porque seria preciso matar todas as células-tronco tumorais. Mas basta que uma centena delas sobreviva para trazer o câncer de volta”, afirma Oswaldo Okamoto.

Para completar a armadilha, há indícios de que alguns genes ligados ao câncer também são essenciais para curar ferimentos e retardar o envelhecimento. Precisamos deles para manter a saúde, mas eles também podem estar por trás de tumores. Pelo visto, para correr o risco de ter a doença, basta estar vivo.

7,6 milhões de pessoas morreram de câncer no mundo em 2007. Nos países ricos, a doença deve se tornar a principal causa de morte nas próximas décadas.

 

Quatro passos para a guerra civil
Veja como os tumores subvertem o funcionamento das células

1. Divisão

Existem regras precisas que regulam a divisão das células. Sem esse controle, um tumor pode iniciar seu nascimento.

2. Regressão

Além de proliferarem feito alucinadas, as células voltam a um estágio mais primitivo, incapaz de ter funções especializadas, deixando o corpo “na mão”.

3. Invasão

A proliferação chega a tal ponto que a massa tumoral rasga barreiras e adentra os tecidos vizinhos dela.

4. Metástase

O pior cenário para um tumor é a metástase: células da massa tumoral original “vazam” para a corrente sanguínea e chegam a órgãos distantes. O risco de morte é grande nesse caso.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Aids pode ter vindo dos tigres

Cientistas da Universidade de Rochester, nos EUA, encontraram fragmentos de um vírus chamado FIV, que destrói o sistema imunológico dos gatos, no código genético do vírus da aids. Por isso, eles acreditam que o vírus tenha surgido em tigres pré-históricos, passado para os macacos e sofrido mutações até virar o HIV.