quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Células-tronco curam paciente com HIV e apresentam possível tratamento

Embora 'paciente de Berlim' seja caso isolado, cura pode dar dicas sobre como vencer luta contra a doença

Um transplante de sangue muito pouco comum parece ter curado um americano que vive em Berlim da infecção do vírus do HIV, embora os médicos alertem que esse método ainda não possa ser usado de maneira ampla.

0812_timothy_ray_brownp

O homem, que tem cerca de 40 anos, teve um transplante de sangue de células-tronco em 2007 para tratar leucemia. Seu doador era não apenas de um tipo sanguíneo compatível com o seu como também tinha uma mutação gênica que fazia com que ele fosse resistente ao HIV.

 

 

Timothy Ray Brown, o 'paciente de Berlim'

Agora, três anos depois, o 'paciente de Berlim', como ficou conhecido Timothy Ray Brown não mostra nenhum sinal de leucemia ou infecção por HIV, de acordo com um relatório divulgado pela revista Blood.

"É uma demonstração interessante de que com medidas extraordinárias um paciente pode ser curado do HIV", mas até o momento é uma terapia muito arriscada para se tornar comum, pois é difícil até mesmo encontrar doadores compatíveis, disse Michael Saag da Universidade de Alabama.

Transplantes de medula óssea - ou, mais comumente hoje em dia, de células tronco - são feitos para tratar câncer, e seu risco se realizados em pessoas saudáveis é desconhecido. Esse tratamento envolve a destruição completa do sistema imunológico do receptor com medicamentos e radiação, e somente então sua substituição com células de doadores que desenvolverão um novo sistema imunológico. A taxa de mortalidade ou complicações desse procedimento podem ser 5% maiores que nos procedimentos tradicionais, disse Saag.

"Não podemos aplicar esse procedimento em indivíduos saudáveis pois o risco é muito alto", afirmou Saag. Quando o 'paciente de Berlim' apareceu pela primeira vez há dois anos, Anthony Fauci, do National Institute of Allergy and Infectious Diseases, afirmou que o procedimento era muito caro e arriscado para se tornar prático como um tipo de cura, mas que pode dar dicas sobre como usar a terapia genética e outros métodos para chegar ao mesmo resultado.

Nesta semana, o Timothy Ray Brown deu uma entrevista à revista alemã Stern contando sua história de cura.

Por: AP e estadão.com.br

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Células-Tronco: Uma nova esperança aos paraplégicos

Pesquisadora do Centro de Biotecnologia e Terapia Celular do Hospital São Rafael (CBTC) realiza análises com células-tronco de medula óssea Um acidente de carro há 18 anos mudou por completo a vida do engenheiro químico paulistano Alexandre Baroni. Hoje, com 42 anos, Alexandre ainda se lembra com riqueza de detalhes quando seu carro capotou por algumas vezes após ele ter pegado no sono ao volante. Com o impacto da batida, o capô afundou e comprimiu sua cabeça, causando-lhe uma lesão completa na 5ª vértebra cervical. Alexandre ficou tetraplégico. Após algum tempo de espera para tentar readquirir os movimentos, mas sem sucesso, o engenheiro se rendeu à sua nova condição de vida, passar o resto dos dias sob uma cadeira de rodas.

Mas o que poderia estar tachado para ser definitivo, tanto para ele como para milhares de outras pessoas com paraplegia, que têm como o grande sonho poder um dia voltar a andar, já há uma esperança para um recomeço. Novas conquistas na medicina já estão sendo alcançadas em pesquisas com células-tronco, realizadas por um grupo de médicos baianos. Depois de muitos meses desenvolvendo o trabalho em cães e gatos com a deficiência física, onde os testes preliminares foram considerados bastante satisfatórios, agora, com pioneirismo no País, será a vez de realizar os testes clínicos em humanos.

Vinte pacientes voluntários participarão, já a partir do mês de agosto, do protocolo de pesquisa com células-tronco de medula óssea, que está sendo realizado pelo Centro de Biotecnologia e Terapia Celular do Hospital São Rafael (CBTC), em Salvador (BA).

De acordo com a coordenadora do projeto, a imunologista Milena Soares, cada pessoa selecionada terá seu material colhido do próprio osso da bacia, depois as células irão para o laboratório para cultivo e testes. Em seguida, o paciente irá novamente para cirurgia, mas dessa vez para a inserção das células na área da coluna que foi fraturada. "A partir desta fase, cada participante da pesquisa passará por um intenso programa de fisioterapia para reabilitação. No total, esse trabalho terá dois anos e a equipe multidiscilpinar envolvida no projeto está bastante otimista", declara a pesquisadora.

Segundo o neurocirurgião Marcus Vinícius, que faz parte da equipe médica do projeto e é o responsável pelo transplante de células, esse trabalho é a ponta do iceberg e muitas outras pesquisas serão realizadas a partir dos resultados desses primeiros testes. "Estamos começando uma estrada, e temos muito caminho a percorrer. Apesar de vários estudos e vários tratamentos, até o momento não existe nada na medicina que resolva o problema, nenhum leva a algum resultado. E estamos tentando gerar um", pontua Marcus Vinícius.

Alexandre Baroni, que saiu de São Paulo há dois anos para assumir em Salvador o cargo de Coordenador Executivo dos Direitos de Pessoas com deficiência do Estado da Bahia, fala sobre a importância do Brasil dar esse passo em uma pesquisa tão importante. "Se nosso país não avançar nas pesquisas, principalmente com células-tronco, elas serão feitas lá fora. E tudo será mais difícil e demorado até chegar aqui. Assim como eu, todos os que passam pelo problema esperamos êxito e que esse trabalho possa trazer melhor qualidade de vida para nós deficientes. A gente aprende a viver em novas condições, mas é indiscutível que se a gente puder, sai da cadeira de rodas", declara.

O neurocirurgião comenta que ainda há vagas para voluntários, pois para esse primeiro momento há uma série de pré-requisitos, a exemplo da lesão não ter sido ocasionada por arma de fogo ou algum material perfurante, e esta ter mais de seis meses. “Os interessados podem se inscrever por meio do email ticiana@cbtc-hsr.org”, recomenda o médico. A pesquisa é realizada pelo Monte Tabor/Hospital São Rafael, em parceria com o Hospital Espanhol, a Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ) e o Centro Universitário da Bahia e é financiada pelo Ministério da Saúde.

Pesquisa ajudará portadores da Doença de Chagas
Além de portadores de paraplegia, o Centro de Biotecnologia e Terapia Celular (CBTC) do Hospital São Rafael vai desenvolver pesquisas com portadores da doença de Chagas, doença adquirida por um parasita e que em muitas pessoas não apresenta sintomas. A pesquisa será para identificar a forma correta do tratamento seja ela terapêutica, imunológica ou por terapia celular, no intuito de bloquear ou inibir a evolução da doença para a forma cardíaca. "Precisamos compreender melhor os motivos pelos quais os indivíduos portadores da forma indeterminada da doença de Chagas vivem tanto tempo sem apresentar os sintomas, mesmo com sorologia positiva, ou seja, coexistindo com a presença de parasitas", diz o imunologista e coordenador do Estudo Multicêntrico de Terapia Celular em Cardiopatia Chagásica, Ricardo Ribeiro, responsável pelo CBTC.

Os estudos serão realizados no Laboratório de Cultura de Células Humanas e no Ambulatório Avançado de Doença de Chagas. Os voluntários a participarem do projeto terão acompanhamento terapêutico para insuficiência cardíaca e total assistência de uma equipe multidisciplinar formada por profissionais de Medicina, Enfermagem, Psicologia, Nutrição e Fisioterapia.

Desenvolvimento
Nomes importantes da pesquisa no Brasil estiveram presentes em Salvador durante inauguração do primeiro Laboratório de Cultura de Células Humanas do Brasil e único no Norte e Nordeste. Para o secretário de Ciência e Tecnologia e Insumos do Ministério da Saúde, Reinaldo Guimarães, a terapia celular é o novo paradigma a ser desvendado quando se trata do cuidado com a saúde humana, e comemora o desenvolvimento do Brasil no setor. “O Ministério da Saúde faz questão de manter o fomento nessa área. Dessa forma a distância que separa o Brasil dos países desenvolvidos, em relação às pesquisas com terapia celular, é muito pequena”, festeja o secretário. Já o presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Carlos Aragão, avalia o momento como um avanço no desenvolvimento social brasileiro.

CTBC
O Centro de Biotecnologia e Terapia Celular do Hospital São Rafael (CBTC) é o primeiro do Norte-Nordeste e um dos oito centros credenciados pelo Ministério da Saúde para manejo de células-tronco a nível de GMP (Good Manufacture Practice ou Boas Práticas de Manufatura). Possui uma área de aproximadamente 700 m2, onde são realizadas pesquisas básicas e aplicadas na área biomédica, e investigações de doenças neurológicas (trauma raquimedular, epilepsia, lesão do nervo periférico); de doenças renais (insuficiência renal aguda), do diabetes (tipos I e II, com foco na regeneração de lesões teciduais), doenças cardiovasculares, doenças hepáticas e do envelhecimento. Sobre este último, são monitorados e identificados os mecanismos que levam à transformação tumoral de células-tronco e a comparação do potencial terapêutico de células de diferentes origens.

Por MARCELLE FACCHINETTI – Terra Notícias

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Celular pode provocar câncer cerebral. Ou não

Estudo mostra que celular aumenta em até 27% a incidência de tumores. Mas os cientistas dizem que isso não prova nada.

cel-cancer A radiação eletromagnética emitida pelos celulares traz risco à saúde? Há duas décadas esse enigma desafia os cientistas. E o maior estudo já feito sobre o assunto, que avaliou 14 mil pessoas em 13 países ao longo de 10 anos e acaba de ser concluído, trouxe as seguintes respostas: sim. Não. Talvez. O estudo, que foi realizado pela Organização Mundial da Saúde, está gerando polêmica na comunidade científica. Isso porque apontou que há associação entre o uso de celular e dois tipos de câncer. Mas com um porém.
O estudo constatou que, no grupo de pessoas que tinham usado o celular durante pelo menos 1 640 horas - o equivalente a meia hora de uso por dia durante 10 anos -, havia 15% mais casos de glioma e 27% mais de meningioma (dois tipos de câncer cerebral). Mas os cientistas dizem que isso não prova nada. "Os dados são imprecisos", declarou Daniel Krewski, biólogo da Universidade de Ottawa e um dos autores da pesquisa. Ele diz que o estudo não avaliou número suficiente de pessoas, e que os portadores de tumores podem ter reportado uso de celular superior ao real - o que teria distorcido os números, criando uma falsa elevação do risco de câncer.
Mas nem todos os pesquisadores aceitam essa explicação. "O estudo da OMS confirmou as descobertas, feitas por vários grupos, de que o celular aumenta o risco de câncer no cérebro", diz o oncologista Lennart Hardell, da Universidade de Orebro (Suécia). Seja como for, os cientistas da OMS querem fazer mais pesquisas. O próximo estudo a respeito pretende avaliar 350 mil usuários de celular - e só será concluído daqui a 20 anos.

por Bruno Garattoni – Revista SUPER

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

4 Gatilhos da dor de cabeça

É hora de fugir deles. Investigamos algumas situações do dia a dia capazes de despertar esse tormento. Preste atenção: o motivo pode estar onde você menos imagina

Ah, dor de cabeça, atire o primeiro analgésico quem nunca a experimentou na vida. É um transtorno tão comum que decidimos pegar emprestado o termo para apelidar qualquer entrave do cotidiano. E, a exemplo dos perrengues que enfrentamos em casa ou no trabalho, as cefaleias — esse é o seu nome de batismo científico — são também um problema frequente. Entre 70 e 95% dos seres humanos registrarão pelo menos um episódio em sua biografia.

Um estudo realizado recentemente pela Sociedade Mineira de Cefaleia revela, após entrevistar mais de 900 funcionários de três empresas de Belo Horizonte, que quase 74% deles tiveram dores de cabeça nos últimos 12 meses. “O impacto é ainda maior sobre as mulheres. Três quartos delas apresentavam dores em níveis moderado e alto”, conta o neurologista Ariovaldo Silva Júnior, presidente da entidade e um dos responsáveis pelo trabalho. “O estresse e as oscilações hormonais podem justificar esses dados".

Há mais de 150 tipos de dor de cabeça. Cerca de 20% das mulheres e 8% dos homens padecem de enxaqueca e quase 20% da população é vitimada pela dor tensional.

As cefaleias são divididas em primárias e secundárias. No segundo grupo, estão as deflagradas por gripes, sinusites, aneurismas… “Entre as primárias, as principais são a enxaqueca e a do tipo tensional”, diz o neurologista Deusvenir de Souza Carvalho, da Universidade Federal de São Paulo. São elas as versões geralmente desencadeadas pelos fatores que apresentaremos a seguir. Nem sempre, porém, dá para culpar um chocolate pelo martírio. “O indivíduo com propensão para o problema crônico sofre muitas vezes de crises independentes de gatilhos”, avisa o neurologista Getúlio Rabello, do Hospital das Clínicas de São Paulo. Daí por que as dores merecem ser averiguadas com o apoio de um especialista.

1 Estresse
O arqui-inimigo da vida moderna não faltaria a uma reunião dos gatilhos de cefaleia. Para quem tem enxaqueca ou dor do tipo tensional, algumas horas no trânsito ou a correria do escritório podem ser fatais. A enxaqueca, cuja crise dura de quatro a 72 horas, se destaca por uma dor pulsante, mais intensa em um lado do crânio e acompanhada por náuseas e sensibilidade a luz e barulho. Já a do tipo tensional surpreende os dois lados da cabeça, sem apertar tanto e durando de 30 minutos a sete dias. Ambas têm, provavelmente, origem genética e são provocadas por erros de interpretação das áreas do cérebro que gerenciam a dor. É como se um estresse físico ou emocional fosse recebido com exagero e, em resposta, detonasse o tormento. “Na enxaqueca, esse estímulo provoca inflamação e dilatação das artérias da meninge, as membranas que recobrem o cérebro”, explica o neurologista Abouch Krymchantowski, diretor do Centro de Avaliação e Tratamento da Dor de Cabeça do Rio de Janeiro. Somado a alterações bioquímicas, esse fenômeno acorda a dor. Para escapar do alvoroço na massa cinzenta, busque manejar a tensão diária: em vez do carro, prefira o metrô, medite, brinque com os filhos, dedique-se a um passatempo…

2 Alimentos e temperos
Uma noite de queijos e vinhos pode resultar em uma madrugada com muita dor de cabeça. Essa dupla é capaz de acionar uma crise em quem já convive com enxaqueca. “Os queijos fornecem substâncias que interferem na química cerebral”, diz Deusvenir Carvalho. A principal delas é a tiramina, que dá as caras quando as proteínas do alimento são quebradas. Ela teria a audácia de incrementar a dilatação dos vasos cerebrais, uma das condições que respondem pela dor. Quanto mais velho o queijo for, mais tiramina ele costuma oferecer. Ninguém está pedindo para abolir o parmesão ou o provolone depois de uma única crise. “Para culparmos o alimento, ele precisa deflagrar o problema de forma repetitiva”, orienta Getúlio Rabello. Outros petiscos são famosos por desencadear enxaquecas, como o chocolate, dono de moléculas que promovem alterações químicas no cérebro, além de frios e embutidos, que carregam nitritos e nitratos, substâncias nocivas que estimulam a dilatação dos vasos. Entre os temperos, cuidado com o molho à base de soja. “Ele contém glutamato monossódico, que também é vasodilatador”, avisa Marco Antônio Arruda. A mensagem é ficar de olho no cardápio e, se detectado o alimento- gatilho, maneirar na porção ou manter distância dele. Do contrário, o banquete está liberado.

3 Bebidas
Nós afirmamos que a aliança entre queijos e vinhos pode ser perigosa, certo? Mas, justiça seja feita, não dá para condenar apenas o derivado do leite. O vinho tinto também oferece moléculas que, como a tiramina, alargam o calibre dos vasos no cérebro. Para piorar ainda mais a vida de alguns enxaquecosos, o néctar de Baco é composto de álcool, outro potente vasodilatador — por isso, há quem sofra também bebericando uísque ou cerveja. “Não é que todo mundo com enxaqueca terá uma crise ao tomar um copo, mas, para alguns predispostos, a dor aparece quando a bebida começa a ser absorvida”, conta Arruda. Ou seja, o suplício pode iniciar à mesa. Não confunda essa dor de cabeça com aquela que escolta a ressaca do dia seguinte. “Nesse caso, o desconforto é resultado da desidratação e da quebra do álcool dentro do corpo”, explica o neurologista Eduardo Mutarelli, do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

4 Abuso de remédios
O tiro saiu pela culatra — talvez seja essa a melhor expressão para definir os riscos de quem se entope de analgésicos com o objetivo de se livrar de dores de cabeça recorrentes. É claro que, em meio a um episódio esporádico, recorrer a um comprimido pode ser o jeito mais rápido e eficaz de silenciar o desconforto. Mas quando o problema é habitual... “Quase dois terços das pessoas com cefaleias diárias abusam desse tipo de remédio”, estima Ariovaldo Silva Júnior, que atua no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais. “E exagerar nesses medicamentos só ajuda a torná-las crônicas”, alerta. É o que chamamos de efeito rebote, porque o cérebro deixa de ser suscetível à droga. “Além disso, alguns analgésicos são prejudiciais a outros órgãos, como o fígado”, lembra Silva Júnior. Nessas situações, não se iluda com a automedicação. Visite um neurologista para apurar o problema. Só ele deve prescrever os remédios que previnem ou aplacam as crises.

por Diogo Sponchiato – Revista SAÚDE

Alho e cebola contra pedra na vesícula

A dupla seria capaz de reduzir a formação de cálculo biliar, sugere um estudo indiano publicado no periódicoBritish Journal of Nutrition. Realizado com roedores, o trabalho mostrou que o dueto aumenta a produção de duas enzimas responsáveis por derrubar naturalmente os níveis de colesterol. “E quase 80% das pedras na vesícula são formadas por esse tipo de gordura”, afirma Ricardo Abdalla, clínico-geral do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Para chegar à conclusão, os cientistas compararam dois grupos de cobaias. Entre os animais alimentados com uma maior quantidade de alho e cebola, houve uma redução de até 30% na incidência dos cálculos.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Hepatite C pode favorecer o diabete – Final

O vírus que causa flagelos ao fígado é acusado agora de financiar o diabete. Felizmente, os cientistas vislumbram uma nova era na caçada ao micro-organismo que já infectou 170 milhões de pessoas ao redor do globo. Veja como eles estão fechando o cerco.

Investigar é preciso. Não só para bolar o contra-ataque mas também para se certificar da necessidade do tratamento, que é protagonizado por uma dupla medicamentosa que deve ser utilizada ao longo de 24 a 48 semanas. O interferon, aplicado por meio de uma injeção, e a ribavirina, uma droga de uso oral, ampliam a ação do sistema imune e desarticulam a devassa no fígado. “A eficácia da terapia chega a 85% nos portadores dos vírus dos tipos 2 e 3 e a 50% se for o tipo 1”, conta o hepatologista Giovanni Faria Silva, da Universidade Estadual Paulista, em Botucatu, no interior de São Paulo. O especialista lidera uma pesquisa internacional com 2 500 pacientes cujo objetivo é verificar até que ponto a terapia surte uma resposta virológica sustentada — o que, cá entre nós, dá para traduzir como cura.

O dilema é que a dupla dinâmica de medicamentos ainda deixa a desejar. “O tratamento apresenta efeitos colaterais expressivos, como anemia e depressão, e metade dos casos da forma mais comum de hepatite C não responde a ele”, lamenta Evaldo de Araujo. Por isso, os cientistas queimam neurônios em busca de estratégias de combate certeiras. Felizmente, já conseguem visualizar, num futuro não tão distante, uma nova era nessa batalha. O pelotão é encabeçado pelos inibidores de protease, comprimidos capazes de anular uma enzima crucial à multiplicação do vírus. “Só que eles não substituem a terapia padrão”, diz Silva. Um estudo americano acaba de mostrar que, aliados ao interferon e à ribavirina, os tais inibidores de protease multiplicam as chances de cura e cortam pela metade o tempo de tratamento.

Para cercar o vírus causador da hepatite C por todos os lados, outros agentes deverão ser recrutados. É o caso dos inibidores de polimerase. “Eles bloqueiam outra enzima necessária à formação de novas partículas virais”, diz o imunologista Ed Gustavo Marins, da Roche, laboratório que desenvolve a droga. A empresa testou em laboratório a parceria entre os dois inibidores e obteve resultados muito promissores. “Notamos que um potencializa o efeito do outro”, afirma Marins. Ainda ninguém sabe, porém, se a dupla, sozinha, seria uma alternativa à terapia atual.

Já foi uma imensa labuta colocar o agente da hepatite C no tribunal. Mas ninguém discute que uma tarefa mais complicada será silenciá-lo em definitivo. Com a palavra, o cientista americano que descobriu o arqui-inimigo do fígado, Qui-Lim Choo: “Ele é como um camaleão, que troca de cor para se adaptar ao ambiente e, assim, escapar das nossas defesas”. Seu colega brasileiro Evaldo de Araujo arremata: “Como o vírus sofre muitas mutações, consegue enganar os anticorpos produzidos pelo organismo”. Esse é o desafio de estudiosos da Universidade de Massachusetts, nos Estados Unidos, que testaram em ratos moléculas que impedem a entrada do vilão nas células — os anticorpos monoclonais. “Esperamos que eles possam ser usados em combinação com drogas antivirais em pacientes recém-diagnosticados”, conta a investigadora Deborah Molrine.

E que tal uma vacina com potencial para prevenir a infecção e, de quebra, auxiliar na terapia convencional? É em cima dessa solução que trabalha o homem que desmascarou o micro-organismo. “Há muitas dificuldades, a começar pela natureza do vírus e por sua variedade”, conta Choo. “Mas já mostramos há 18 anos que o imunizante é capaz de proteger chimpanzés.” A despeito dos entraves — que passam inclusive pelo alto custo das pesquisas —, a vacina deveria agir em duas frentes: instigar a fabricação de anticorpos e estimular as tropas de defesa contra o vírus. Não por menos, poderia ser convocada para incrementar o tratamento, fazendo parte de um coquetel anti-hepatite C. “Estou muito entusiasmado com a ideia”, diz Choo. Se depender dele e dos seus companheiros de luta, o vírus enfrentará, em breve, terríveis anos de chumbo. “Estamos no início do túnel, mas já conseguimos vislumbrar uma claridade”, vale-se da metáfora o médico Giovanni Faria Silva.

Doença rara faz menino de 11 anos envelhecer 5 vezes mais rápido

Harry Crowther, que já sofre de artrite, é um dos 16 pacientes de forma atípica de progéria no mundo

Um menino de 11 anos que sofre de uma rara doença genética está envelhecendo a uma velocidade cinco vezes maior do que seus colegas de classe e sofre de artrite e outras condições relacionadas à velhice.

Harry Crowther, de West Yorkshire, na Inglaterra, sofre de progéria atípica, uma forma um pouco menos severa da progéria clássica conhecida como síndrome de Hutchinson-Guilford.

O menino é menor do que outros garotos da sua idade, não tem gordura corporal e suas feições faciais são semelhantes às de um paciente da síndrome clássica – sua expectativa de vida, porém, pode ser mais alta. A pele de Harry já começou a afinar, seu cabelo cresce lentamente e os ossos de seus dedos e da clavícula começaram a erodir.

No início de abril, ele teve confirmado o diagnóstico de artrite, depois de começar a sentir dor em suas juntas.

O menino toma analgésicos quatro vezes por dia e faz hidroterapia para ajudá-lo a suportar a dor e exercitar as juntas.

A doença de Harry Crowther é tão rara que seu caso é o único confirmado no Reino Unido. Em todo o mundo, apenas 16 casos são conhecidos, segundo o Great Ormond Street Hospital, onde o menino recebe tratamento.

Por sua condição ser tão rara, os médicos não sabem exatamente quais seus prognósticos.

Os pacientes dessa doença normalmente só apresentam sintomas depois do primeiro ano de vida, mas apesar de ter notado “algo estranho”, os pais de Harry só conseguiram confirmar o diagnóstico quando ele tinha sete anos de idade, em um exame nos Estados Unidos.

“Eu vi algumas marcas no corpo de Harry, mas nosso médico disse que se tratavam apenas de marcas de nascença”, disse a mãe dele, Sharron. “Mas como as marcas se tornaram mais pronunciadas, pedi para consultar um especialista.”

“Muitos especialistas tiveram dificuldades em diagnosticar Harry. No fim, alguém disse que, por sua aparência, Harry poderia sofrer de algum tipo de progéria, então fomos ao centro médico UT Southwestern, em Dallas, para confirmar o diagnóstico.”

Ao ouvir a notícia, a reação da família foi mista.

“Inicialmente, ficamos aliviados por saber que não era a progéria clássica de Hutchinson-Gilford, que é muito mais séria”, disse Sharron. “O lado ruim é que não há outras famílias com quem possamos falar sobre isso. O Harry é o único menino do país com a doença.”

A expectativa de vida de pacientes de progéria clássica vai até a adolescência, mas há casos de pacientes da síndrome atípica que viveram até mais de 30 anos de idade.

O jovem, que também é escoteiro e anda de skate e bicicleta, tem que manter uma dieta baixa em gorduras e realizar atividades físicas, mas ele fica cansado rapidamente.

“A doença não para Harry – ele segue vivendo”, disse sua mãe.

Sua saúde tem que ser monitorada constantemente, já que pacientes da doença costumam desenvolver problemas cardíacos.

A doença é causada por uma mutação no gene LMNA (conhecido como o gene do envelhecimento), que faz com que ele envelheça a uma velocidade muito mais rápida do que o normal.

A família do menino criou uma página no Facebook para divulgar informações sobre a doença e ajudar outras pessoas que tenham sintomas semelhantes e não tenham conseguido diagnosticar a doença.

ANVISA aprova vacina 13-valente

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) acaba de aprovar a vacina pneumocócica conjugada 13-valente, do laboratório Pfizer, que promete 100% de cobertura aos principais tipos de micro-organismos por trás da pneumonia e da meningite. Esse tipo de imunizante é indicado a lactentes e crianças entre seis semanas e seis anos de idade (incompletos) e deve ser administrado em quatro doses: aos 2, 4, 6 meses e entre 12 e 15 meses de idade. Segundo a Organização Mundial da Saúde, as doenças pneumocócicas matam de 600 mil a 1 milhão de crianças todos os anos.

Até o ano passado, a única vacina desse gênero disponível era a 7-valente. A partir deste ano, o calendário do Ministério da Saúde adotou a 10-valente para barrar essas enfermidades. A 13-valente, por enquanto, será apenas distribuída na rede privada.

Se seu filho recebeu, até o momento, uma ou mais doses da 7-valente, ele poderá completar, sem problemas, o processo de imunização com a nova vacina. Para aquelas crianças que já receberam as quatro doses recomendadas, é possível tomar mais uma da nova versão para garantir uma cobertura ainda mais eficaz.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Cura da cegueira: terapia genética restaura visão em camundongos

Usando uma espécie de terapia genética, cientistas das universidades de Buffalo e Oklahoma, nos Estados Unidos, conseguiram reverter a retinite pigmentosa em camundongos, fazendo com que os animais voltassem a enxergar.

O experimento bem-sucedido é um passo importante nas pesquisas que poderão, no futuro, permitir que pessoas que sofrem dessa e de outras doenças oculares voltem a enxergar.

O que é retinite pigmentosa 

A retinite pigmentosa é na verdade um grupo de doenças oculares hereditárias que afetam a retina. A retinite pigmentosa faz com que células da retina morram prematuramente, levando à perda da visão.

A doença danifica os fotorreceptores, as células da retina que transformam a luz em sinais elétricos, que são transmitidos ao cérebro por meio do nervo óptico. Esses danos deixam milhões de pessoas no mundo inteiro com perdas visuais e cegueira.

Não há cura para a retinite pigmentosa atualmente.

Terapia genética

Ao contrário de outros experimentos com terapias genéticas, os cientistas não utilizaram vírus modificados, diminuindo o potencial de riscos e efeitos colaterais desse tratamento experimental.

A técnica utiliza uma nanopartícula transportando ácidos nucleicos, tipicamente moléculas de DNA “compactadas”, segundo os pesquisadores, que carregam os genes a serem implantados.

“Nós esperamos que os resultados de nosso estudo transformem-se em um instrumento na geração de uma cura para a cegueira debilitante associada com a retinite pigmentosa e outras doenças hereditárias e adquiridas da retina,” disse Muna I. Naash, coautora da pesquisa, que foi publicada no exemplar de Abril do Faseb Journal.

Degeneração da retina

Naash e seus colegas usaram grupos de camundongos com o gene Rds, da degeneração retinal lenta, que causa a retinite pigmentosa.

Cada grupo de animais recebeu um dentre três tipos de “tratamentos”: nanopartículas contendo a cópia normal do gene Rds, o gene normal sozinho, ou uma solução salina.

Os camundongos que receberam o gene sozinho ou a solução salina continuaram a perder sua visão.

Milagre da cura do cego

Os camundongos que receberam a terapia de nanopartículas com o gene mostraram sinais significativos de cura. Eles apresentaram uma melhora estrutural nas suas retinas, bem como melhoria da visão funcional, que durou durante todo o estudo.

As nanopartículas parecem ser seguras e foram bem toleradas pelos animais, que não sendo registrado nenhum efeito colateral.

“Fazer um cego ver já foi chamado de milagre,” disse o Dr. Gerald Weissmann, editor-chefe do FASEB Journal. “À medida que expandimos a nossa compreensão da evolução, da genética e da nanotecnologia, é provável que curas ‘milagrosas’ tornem-se tão comuns quanto as reivindicadas pelos curandeiros do passado e do presente.”

Austrália

Austrália: Pesquisadores da Universidade de South Whales conseguiram desenvolver uma lente de contato especial, utilizando-se das células-tronco dos próprios pacientes.

Para fazer esta lente, os pesquisadores utilizaram menos de um milímetro do tecido da córnea de cada paciente, e então, cultivaram as células-tronco nas lentes de contato. Depois de realizada uma limpeza na córnea de cada paciente, são inseridas essas lentes. E é aí que a maravilha acontece. Dentro de 10 a  14 dias (depende de cada um) as células-tronco substituem por completo as células danificadas, e podem inclusive reconstituir a córnea do paciente.

E foi isso o que aconteceu com três australianos voluntários. Eles totalmente cegos do olho em que foram tratados, e hoje, 2 deles conseguem ler letras grandes e 1 deles pretende tirar carteira de motorista.

O Brasil também já conseguiu ótimos resultados. Um estudo está sendo conduzido pelo pesquisador do Hemocentro de Ribeirão Preto, o professor Júlio César Voltarelli, em parceria com os oftalmologistas do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HCFMRP) da USP, Rodrigo Jorge, André Messias e Rubens Siqueira.

Três voluntários que apresentavam menos de 10% de visão já receberam uma injeção de células-tronco, implantadas na cavidade vítrea do globo ocular.

O procedimento é feito em um único dia. As células são retiradas da própria medula óssea do paciente por meio de punção na altura da bacia e, em seguida, são processadas em um laboratório do Hemocentro de Ribeirão Preto. Cerca de quatro horas após a punção, o paciente recebe a injeção de células-tronco.

“Se os exames mostrarem que estas células voltaram a funcionar, poderemos considerar como um resultado interessante e promissor”, afirma o médico. Dependendo dos resultados que serão enviados ao Conep, o órgão decidirá se haverá ou não continuação da pesquisa. “Por estas razões, não podemos ampliar o uso da terapia para outros pacientes. As pessoas interessadas neste tratamento devem aguardar esses resultados”, ressalta o médico.

Caso haja sucesso nos resultados, será possível que o tratamento com células-tronco possa ser aplicado também no combate a outras doenças de fundo de olho, como a retinopatia diabética e a degeneração macular relacionada à idade.

É, se tudo der certo, vamos esperar que esse avanço seja utilizado em larga escala, e que, principalemente, vise atender os mais pobres.

Hepatite C pode favorecer o diabete - Parte 1

O vírus que causa flagelos ao fígado é acusado agora de financiar o diabete. Felizmente, os cientistas vislumbram uma nova era na caçada ao micro-organismo que já infectou 170 milhões de pessoas ao redor do globo. Veja como eles estão fechando o cerco.

hepatite Silencioso. Todo médico recorre a esse adjetivo para descrever o ataque do inimigo que carrega, em sua ficha criminal, a denúncia de ser o maior responsável por um colapso no fígado. Descoberto há 20 anos, o vírus da hepatite C está na lista dos bandidos que assaltam o corpo sem dar bandeira durante décadas e, quando são flagrados, já causaram consideráveis estragos. Hoje o réu, que se vale do sangue para contaminar suas vítimas, não responde tanto por novos contágios. Desde que foram adotadas medidas de segurança, como uma triagem mais rigorosa nas transfusões nos anos 1990 e a consolidação do emprego de agulhas descartáveis, a transmissão despencou.
A questão, porém, é que milhões de brasileiros entraram em contato com o VHC, a sigla que classifica o infeliz, antes desse período e só agora sofrem as retaliações da invasão. “Vivenciamos atualmente uma epidemia de diagnósticos”, sentencia o infectologista Evaldo de Araujo, do Laboratório de Hepatites Virais do Hospital das Clínicas de São Paulo. “O problema é que muitos casos ainda são detectados tardiamente”, constata Ricardo Gadelha, coordenador do programa de hepatites virais do Ministério da Saúde. A essa altura, o fígado já foi assolado por uma cirrose ou por um câncer. Aí, a única solução é o transplante.
Só que os atentados ao corpo não se restringem a esse órgão. Os especialistas colhem cada vez mais provas de que a forma crônica da hepatite C abre caminho ao diabete tipo 2. “Há algum tempo já percebemos que a prevalência desse distúrbio em portadores de hepatite é muito alta”, diz o hepatologista Edison Parise, da Universidade Federal de São Paulo. Até o momento, existem duas explicações para o elo, e tudo depende da identidade do vilão que se apodera do fígado. “O vírus do tipo 3 induz a resistência à insulina, o fenômeno que antecede o diabete”, explica Parise. “Já as versões 1 e 2 estão relacionadas ao acúmulo de gordura na glândula, condição que também favorece a doença.” Aliás, o processo de engorda do fígado é marca registrada em quase 70% dos pacientes de hepatite.
Os médicos têm bons motivos para dar ordem de prisão ao vírus o mais cedo possível. “Quando ele é eliminado, a resistência à insulina desaparece”, exemplifica Parise. Evitar que o malfeitor tenha condições de prosperar é o jeito de impedir o depósito de gordura no fígado e, de quebra, o próprio diabete. “E esses fatores favorecem a progressão da hepatite em si, propiciando graves lesões hepáticas”, alerta Parise. “O câncer de fígado é de três a quatro vezes mais frequente em quem apresenta ambas as doenças.”
Ora, já deu para notar que o sucesso da caçada depende de um diagnóstico precoce. “Todo indivíduo que se submeteu a uma transfusão de sangue antes de 1993, envolveu-se em acidentes com agulhas ou compartilhou seringas deve fazer o exame que acusa o vírus”, avisa Ricardo Gadelha. Mas não dá para se fiar na memória nem no excesso de confiança. “Entre 25 e 30% dos pacientes não sabem como contraíram a doença”, revela a hepatologista Rosângela Teixeira, da Universidade Federal de Minas Gerais, que coordena um estudo pioneiro sobre o impacto das hepatites na população mineira.

sábado, 24 de abril de 2010

Fumantes têm mais tendência a engordar do que os não fumantes

Pesquisa espanhola desmente o fumo como forma de manter-se mais magro

Um novo estudo da Universidade de Navarra, na Espanha, concluiu que fumantes ativos e pessoas que pararam de fumar têm mais tendência a engordar do que os não fumantes. O resultado vai contra o mito de que manter o vício na nicotina ajuda a se manter mais magro.
Durante 50 meses, 7.565 pessoas foram analisadas pela idade, sexo, índice de massa corporal e estilo de vida. Neste último, foram avaliados quesitos como atividade física e sedentarismo, hábitos alimentares e o consumo de fast food e álcool.

cigarroO ganho de peso em pessoas que pararam de fumar durante o estudo foi maior e foi verificado que eles  fumavam mais cigarros por por dia quando a investigação começou. Entre os que continuaram fumando, estes também ganharam mais peso durante o estudo do que os não fumantes.

Os pesquisadores confirmam que a nicotina não é uma forma efetiva de prevenir a obesidade. Para eles, o estudo demonstra que o aumento de peso, especialmente entre ex-fumantes e fumantes, continua com o fumo ou não.

A maioria dos pesquisadores que estuda a relação entre obesidade e nicotina observa que, embora haja um aumento de peso após deixar o cigarro, não há variações notáveis deste ganho de peso.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Banana de manhã emagrece. Será?

A fruta entra obrigatoriamente na primeira refeição do dia e está afinando a cintura dos japoneses, fãs de carteirinha da chamada Dieta da Banana Matinal

corpo-banana-303Já ouviu falar nesse regime? Se a respostar for não, é só uma questão de tempo. Essa fruta tão popular entre nós está emagrecendo muita gente no Japão e nos Estados Unidos, países que reúnem um número cada vez maior de adeptos. Desenvolvida por Hitoshi Watanabe, um especialista em medicina preventiva em Tóquio, ela caiu na boca do povo. Literalmente. Nunca se vendeu tanta banana por lá como no último verão, época do ano em que normalmente a melancia, entre outras frutas mais apropriadas para sucos refrescantes, é a mais consumida.
A tal dieta consiste basicamente no seguinte: no café da manhã, o candidato a magro pode comer bananas à vontade e nada mais. É desejável que beba também água em temperatura ambiente. O motivo? Bem, sabe-se que o líquido dá saciedade. Então, entraria como um coadjuvante para espantar a fome. Nas refeições seguintes, pode-se comer de tudo, mas só até as 8 da noite. Após o jantar, nada de sobremesa. Já o lanchinho da tarde permite até uma guloseima. Os únicos itens proibidos são sorvetes, derivados do leite e álcool.
A nutricionista Vanderlí Marchiori, de São Paulo, acredita que esse tipo de dieta não traga prejuízos à saúde. “Isso porque não restringe nenhum grupo de nutriente”, justifica. “Os carboidratos, tidos como vilões do emagrecimento, não ficam de fora, o que é ótimo. E a proibição de laticínios e álcool não chega a ser nenhum pecado. Afinal, esses produtos desencadeiam processos inflamatórios.”
E pensar que a banana carrega o peso de ser engordativa. "Essa fama é injusta. Na verdade, além de matar rapidamente a vontade de comer, ela contém enzimas que aceleram a digestão, favorecendo uma rápida perda de peso. Sem contar que também tem fibras do tipo solúvel, aquelas que se ligam à água, formando uma espécie de gel que demora para sair do estômago”, completa Vanderlí.
O poder emagrecedor da banana deve-se também ao amido resistente, um carboidrato complexo encontrado na batata, em leguminosas e massas integrais e que, dentro do corpo, se comporta como uma fibra, favorecendo o funcionamento do intestino e dando aquela sensação de barriga cheia. Detalhe: o amido resistente aparece muito mais na banana verde.
Pelo sim, pelo não, começar o dia comendo banana só pode fazer bem. Afinal, tanto a banana-prata, como a da terra, a ouro e a maçã – para citar as mais apreciadas em terras brasileiras – são lotadas de potássio, mineral imprescindível para os músculos, como bem sabem os atletas.

Artigo original: Revista Saúde

Cálcio contra a hipertensão

Pesquisa revela que o mineral abaixa a pressão

nutricao-calcio-302Não bastasse ser o melhor amigo do esqueleto e combater a obesidade, o mineral do leite tem se revelado um aliado contra a hipertensão. Um trabalho chinês que acaba de ser publicado no períodico científico Nutrition chega para confirmar essa boa atuação. Os cientistas analisaram com calma diversos estudos e reafirmaram que o nutriente tem um potente efeito hipotensor – ou seja, é capaz de diminuir a pressão arterial.
Embora o mecanismo por trás dessa ação benéfica ainda não esteja totalmente elucidado, existem algumas pistas. Uma delas tem relação com a excreção de sódio. Quanto menores os níveis da substância trafegando pelo organismo, tanto melhor. Isso porque ela atrapalha o movimento de dilatação e contração dos vasos, o que dificulta a circulação sangüínea.
O cardiologista Heno Lopes, do Instituto do Coração, em São Paulo, que é autor do livro A Dieta do Coração, sugere a inclusão de laticínios desnatados no cotidiano. “O ideal é consumir pelo menos 3 copos de leite por dia”, recomenda.

Artigo original: Revista Saúde

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Por que temos câncer?

Poucas coisas são mais malucas que um tumor - um pedaço do corpo que tenta dominar o organismo inteiro.

Um terço de nós, independentemente de alimentação, exercícios físicos ou bons hábitos, pode morrer de câncer. É uma situação que parece não fazer o menor sentido, e não só pelo sofrimento físico e emocional que a doença traz. Afinal de contas, o câncer não passa de uma guerra civil no interior do próprio organismo: algumas células de repente resolvem se multiplicar de forma desordenada e descontrolada. É uma péssima idéia, inclusive para elas: mesmo que dominem o corpo, o único resultado dessa vitória é a morte do organismo – e delas, que afundam junto. Então, por que diabos essa bagunça toda acontece?

Porque, há mais de 600 milhões de anos, os ancestrais de todos os animais vivos hoje, inclusive nós, passaram a viver como um conjunto de muitas células. Essa é a principal explicação proposta pelos biólogos hoje e ganha força justamente por levar a evolução em conta.

Um dos grandes problemas para um ser de muitas células, como nós, é coordenar, tintim por tintim, a formação do organismo, que depende tanto da multiplicação celular quanto da morte celular programada. É só pensar nos espaços entre os dedos: se muitas células não tivessem se suicidado na hora certa, todos nós teríamos os dedos “colados”. O processo envolve uma coreografia genética precisa: se, por algum motivo, o DNA de alguma das células programadas para morrer sofrer uma modificação inesperada, a célula em questão pode simplesmente se multiplicar fora de hora. E, pior ainda, pode fazer isso assumindo características que não têm nada a ver com o lugar do corpo onde está, ou então invadir outros órgãos em sua ânsia de virar muitas células. E nasce um tumor.

CÉLULA TRONCO “DO MAL”

O biólogo Oswaldo Okamoto, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), conta que esse processo parece ser controlado por um tipo de célula-tronco – pois é, a mesma categoria que inclui as supostas células milagrosas buscadas por médicos para reparar órgãos. Todas as partes do organismo precisam de células-tronco, que ficam num estado menos especializado, prontas a se multiplicar para corrigir uma lesão, digamos. O problema é que, se elas saem do controle, passam a usar seu potencial multiplicador para o mal, originando o câncer.

Isso explica por que é difícil eliminar a doença. “A volta de um tumor após o tratamento é freqüente porque seria preciso matar todas as células-tronco tumorais. Mas basta que uma centena delas sobreviva para trazer o câncer de volta”, afirma Oswaldo Okamoto.

Para completar a armadilha, há indícios de que alguns genes ligados ao câncer também são essenciais para curar ferimentos e retardar o envelhecimento. Precisamos deles para manter a saúde, mas eles também podem estar por trás de tumores. Pelo visto, para correr o risco de ter a doença, basta estar vivo.

7,6 milhões de pessoas morreram de câncer no mundo em 2007. Nos países ricos, a doença deve se tornar a principal causa de morte nas próximas décadas.

 

Quatro passos para a guerra civil
Veja como os tumores subvertem o funcionamento das células

1. Divisão

Existem regras precisas que regulam a divisão das células. Sem esse controle, um tumor pode iniciar seu nascimento.

2. Regressão

Além de proliferarem feito alucinadas, as células voltam a um estágio mais primitivo, incapaz de ter funções especializadas, deixando o corpo “na mão”.

3. Invasão

A proliferação chega a tal ponto que a massa tumoral rasga barreiras e adentra os tecidos vizinhos dela.

4. Metástase

O pior cenário para um tumor é a metástase: células da massa tumoral original “vazam” para a corrente sanguínea e chegam a órgãos distantes. O risco de morte é grande nesse caso.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Aids pode ter vindo dos tigres

Cientistas da Universidade de Rochester, nos EUA, encontraram fragmentos de um vírus chamado FIV, que destrói o sistema imunológico dos gatos, no código genético do vírus da aids. Por isso, eles acreditam que o vírus tenha surgido em tigres pré-históricos, passado para os macacos e sofrido mutações até virar o HIV.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Médico fez afirmativas ofensivas sobre profissionais da saúde ao Jornal do Brasil – Final

O PRESIDENTE DO CFM AFIRMOU QUE EXISTEM ALGUNS GESTORES DE SAÚDE QUE ESTÃO SUBSTITUINDO OS MÉDICOS POR OUTROS PROFISSIONAIS DA SAÚDE, TENTANDO ASSIM ENGANAR A POPULAÇÃO. ELE TAMBÉM AFIRMA QUE FISIOTERAPEUTAS E ENFERMEIROS ESTÃO PRESCREVENDO MEDICAMENTOS. O QUE ACHA DISSO?
Gil Lúcio: O presidente do CFM precisa entender a importância do cargo que exerce. O CFM é uma das principais instituições desse país e merece respeito. Os homens públicos de coragem não lançam denúncias ao vento, mas exercem na plenitude a cidadania. Se existe algum gestor que não oferece os serviços médicos a quem necessita, basta o presidente do CFM denunciar o caso ao Ministério Público, o qual agirá prontamente. Lembremos que Saúde é direito de todos e dever do Estado. Agora, culpar um prefeito pelo fato de nenhum médico se interessar em trabalhar em uma região carente é no mínimo injusto. Não temos conhecimento de que algum fisioterapeuta tenha prescrito medicamento. Basta uma denúncia ao Crefito-SP e ele perderá o direito ao exercício profissional. O presidente do CFM deveria ter a coragem de fazer uma denúncia pública ou alternativamente respeitar os profissionais da saúde que trabalham com afinco para socorrer a vida.
QUEM PODE USAR O TÍTULO DE DOUTOR? E OS PROFISSIONAIS DEVEM USAR CRACHÁ?
Gil Lúcio: No Brasil apenas as pessoas que cursam um doutorado reconhecido pelas autoridades governamentais (Capes) possuem título de doutor. Culturalmente, todos os profissionais graduados, incluindo os médicos, intitulam-se “Doutores”, apesar de a maioria absoluta não ter mestrado e muito menos doutorado. Bastaria um acordo entre todos os conselhos para que os profissionais deixassem de usar o título de doutor, a menos que tenham um diploma de doutorado. O que não pode é apenas os graduados em medicina usarem o título de doutor. Os conselhos também poderiam, em comum acordo, obrigar todos os profissionais a usar crachá e um jaleco com o nome de sua profissão. Todos os profissionais da saúde que conheço têm orgulho de suas profissões e amariam adotar essa medida.
O QUE A POPULAÇÃO PODE FAZER PARA SABER SE O FISIOTERAPEUTA OU TERAPEUTA OCUPACIONAL ESTÁ AUTORIZADO PARA EXERCER A PROFISSÃO?
Gil Lúcio: O Crefito-SP disponibiliza em seu site www.crefitosp.gov.br todas as informações sobre os seus profissionais. Basta acessar e digitar o nome completo ou número do Crefito ou RG do profissional. A população precisa entender que é seu direito solicitar todas as informações sobre o profissional que irá atendê-la. O presidente do CFM poderia nos ajudar a conscientizar a população de seus direitos no lugar de disseminar a ideia de que “pobre” não sabe diferenciar um médico de um enfermeiro. Hoje 62 milhões de brasileiros possuem acesso à internet. Quando era engraxate, ainda criança, ficava triste quando ouvia alguém dizer que pobre não sabe se defender. Acho que a inteligência do outro merece mais respeito.

O SUS TEM ALGUNS BILHÕES PARA RECEBER PELO ATENDIMENTO QUE FAZ A PACIENTES QUE TÊM PLANO DE SAÚDE. O QUE FAZER PARA ESSE RESSARCIMENTO ACONTECER?
Gil Lúcio: É apenas uma questão de vontade política e de cidadania. Se o Governo quisesse, já teria cobrado a conta há muito tempo. Por outro lado, a recusa em coletar dinheiro público é ato de improbidade administrativa. Então, o que eu e você estamos esperando, como cidadãos, para obrigar o Governo a agir? No pacto constitucional que assinamos com o eleito, fica estabelecido que ele irá nos cobrar impostos, mas também prestará serviços, entres eles os de saúde. Como os serviços são de baixa qualidade, o contribuinte tem que comprar um plano de saúde. Portanto, ele é onerado duplamente. Assim, o correto seria as seguradoras devolverem esse dinheiro ao contribuinte que compra o plano de saúde. No entanto, para isso é necessária uma lei federal. 
QUAL É O RELACIONAMENTO DOS PLANOS DE SAÚDE COM OS PROFISSIONAIS?
Gil Lúcio: A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) foi criada para administrar os interesses do usuário, dos profissionais e das seguradoras de saúde. No entanto, ela tem arbitrado sempre favorável aos interesses dos planos de saúde. Várias seguradoras mantêm os fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais trabalhando com contratos sem reajuste há 10, 15 anos. Para solucionar essas assimetrias, precisamos aprovar uma lei federal que obrigue a ANS a definir os honorários dos profissionais e toda a cobertura que os planos de saúde, individuais ou corporativistas, devem oferecer. Assim, poderemos colocar fim aos abusos.
O SENHOR ACREDITA QUE O MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO TEM FEITO UM BOM TRABALHO DIANTE DA EXPANSÃO DOS CURSOS DE FISIOTERAPIA E TERAPIA OCUPACIONAL DE BAIXA QUALIDADE?
Gil Lúcio: Pulamos de menos de 40 para mais de 500 cursos de graduação em menos de duas décadas. As vagas que o MEC está fechando são vagas ociosas. É preciso responsabilidade e ousadia política para fechar as vagas de baixa qualidade. Deixar um aluno frequentar um curso de baixa qualidade é enganar o contribuinte. Ele sai com o canudo debaixo do braço, mas provavelmente jamais achará emprego em sua área. Se é para apresentar números ao eleitor, então é preferível levar todo mundo que terminou o colégio para fazer uma graduação em conhecimentos gerais. Depois dessa formação, o candidato prestaria uma prova para cursar uma graduação profissional.

Médico fez afirmativas ofensivas sobre profissionais da saúde ao Jornal do Brasil – Parte 3

EXISTE DISPUTA ENTRE OS OUTROS PROFISSIONAIS DA SAÚDE POR ATOS PRIVATIVOS?
Gil Lúcio: A Constituição Federal estabelece que é livre o exercício de qualquer profissão, ao menos que uma lei explicitamente impeça o cidadão de praticar um determinado ato. Precisamos lembrar também que os conselhos, enquanto órgãos públicos, só podem impedir uma pessoa de exercer um ato se a sua lei taxativamente proibir. Ocorre que as leis que criaram as profissões da saúde no Brasil definem de forma bastante genérica os atos privativos dos profissionais. Assim, em tese, quase tudo pode e tudo não pode. Esse regramento liberal forçou os conselhos da saúde a criar limites imaginários de atuação. Mesmo sem uma legislação, desconheço no Estado de São Paulo um único fisioterapeuta ou terapeuta ocupacional prescrevendo medicamentos ou fazendo cirurgias, atos que defendemos ser dos médicos. Desta forma, tivemos que aprender a conviver de forma civilizada e pacífica. Quando o CFM tentou estabelecer que apenas os médicos podiam realizar a acupuntura, a Justiça deu esse direito a todos os profissionais da saúde. Isso foi bom na medida em cada profissional da saúde passou a usar a acupuntura em suas respectivas áreas de atuação.
O PRESIDENTE DO CFM DIZ QUE A LEI DA FISIOTERAPIA NÃO PERMITE ESSES PROFISSIONAIS REALIZAREM DIAGNÓSTICO E QUE, PORTANTO, ELES DEVERIAM APENAS EXECUTAR O TRATAMENTO FISIOTERAPÊUTICO ESTABELECIDO PELOS MÉDICOS. O QUE DIZER DISSO?
Gil Lúcio: Há anos no Brasil os médicos realizam diagnóstico médico, prescrevem medicamentos e executam cirurgias. Fazem isso sem a necessidade de uma lei federal e a Polícia prende os leigos que ousam exercer esses atos. Neste contexto é no mínimo risível a declaração do Roberto d Ávila afirmando que os fisioterapeutas não podem fazer diagnóstico fisioterapêutico porque a lei não explicita isso. O Ministério da Educação estabeleceu as diretrizes dos cursos de graduação e sabiamente determinou que cada profissão da saúde regulamentada faz o diagnóstico, tratamento e prognóstico em sua área de atuação. Ora, como pode o Roberto d Ávila querer que os médicos façam diagnóstico e prescrição na área de fisioterapia se eles não são treinados para tal? O presidente do CFM está travando uma luta inglória, que agride a sensibilidade e bom senso dos médicos, além de afrontar as garantias individuais do cidadão estabelecidas na Constituição Federal. A visão beligerante do presidente do CFM mesmo antes da aprovação do projeto de lei apenas demonstra a batalha jurídica em que ele transformaria as relações entre os conselhos de saúde caso esse projeto de lei fosse aprovado. O triste é que os prejudicados seriam os pacientes enquanto persistisse a litigância.
QUEM SÃO OS PROFISSIONAIS DA SAÚDE AFETADOS PELO PROJETO DE LEI?
Gil Lúcio: O projeto de lei estabelece claramente que seus regramentos não se aplicam aos cirurgiões dentistas. Todas as demais profissões da saúde são afetadas pelos regramentos que cerceiam a autonomia do exercício das profissões. Profissões não regulamentadas (por exemplo, optometria e a estética) seriam banidas do mercado, uma vez que os atos praticados por esses profissionais passariam a ser privativos dos médicos.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Médico fez afirmativas ofensivas sobre profissionais da saúde ao Jornal do Brasil – Parte 2

CASO O PROJETO DE LEI NÃO SEJA APROVADO, OS PROFISSIONAIS DA SAÚDE PODERÃO CRIAR DIFICULDADE PARA QUE OS PACIENTES TENHAM LIVRE ACESSO AOS MÉDICOS?
Gil Lúcio: Hoje o paciente pode escolher consultar qualquer profissional da saúde sem que tenha que pedir permissão ao presidente do CFM. Isso ocorre porque perante a Constituição Federal somos livres para ir e vir. Portanto, o presidente do CFM jamais conseguirá afrontar as garantias individuais sacramentadas na Constituição Federal. Neste contexto, a afirmação do presidente do CFM de que os fisioterapeutas não querem que os pacientes vão aos médicos é no mínimo uma irresponsabilidade. Não existe no Brasil nenhum relato de que alguém tenha impedido uma pessoa de consultar livremente um médico.
O PROJETO DE LEI AFETA O DESENVOLVIMENTO CIENTÍFICO DA SAÚDE?
Gil Lúcio: Não acredito. Os cientistas possuem autonomia para pesquisar qualquer área desde que tenham a autorização de um comitê de ética. Porém, o avanço científico apenas comprova a reprovação da sociedade a investidas corporativas. Veja, devemos os maiores avanços na área de diagnóstico aos biólogos moleculares. Não é por outra razão que os três Prêmios Nobel em medicina de 2009 são biólogos. Eles estão demonstrando que doenças classificadas como pertencentes a diferentes grupos possuem na verdade um mesmo defeito molecular. Em um futuro breve teremos que reaprender, com os biólogos, a fazer diagnóstico se quisermos identificar realmente o fator causal de uma doença.
NO QUE O PROJETO DE LEI AFETA OS SERVIÇOS DE SAÚDE E EM ESPECIAL O SUS?
Gil Lúcio: Na teoria o SUS é um sistema muito bom. Porém, na prática, o Governo Federal realiza um bilhão de consultas médicas, as quais geram meio bilhão de exames e toneladas de medicamentos. O médico sem uma carreira de estado e com falta de controle gerencial gasta em média cinco minutos em uma consulta. Nesse tempo é impossível fazer qualquer tipo de diagnóstico e assim as consultas são substituídas por guias de solicitação de exames. Desta forma, o SUS se transformou em uma grande indústria da doença. No lugar de cuidarmos das pessoas, estamos gastando uma fortuna com exames e medicamentos desnecessários. Hoje temos 50 milhões de portadores de doenças crônicas e ainda vivemos uma década a menos do que poderíamos. Essa triste realidade ainda ocorre apesar dessa grande cobertura e de ainda sermos jovens. Existem hoje no Brasil 30 mil equipes de saúde da família, compostas por médicos, enfermeiros e agentes comunitários. Precisamos de 90 mil equipes da família para atender os 190 milhões de brasileiros. Basta o Estado ampliar essa oferta e incluir nessas equipes os profissionais da saúde para fazermos uma revolução no atendimento. Além de resolver um grave problema de desemprego no setor, essa medida custará muito menos aos cofres públicos e ajudará a alcançarmos uma vida prolongada com saúde e produtividade.
MAS O PROJETO DE LEI IMPEDE QUE OS PROFISSIONAIS DA SAÚDE PRESTEM OS SEUS SERVIÇOS NO SUS?
Gil Lúcio: O projeto de lei na forma como está apenas irá disseminar o ódio onde é necessário prevalecer o entendimento e a paz. Para vacinar uma criança, por exemplo, o enfermeiro terá que exigir da família uma consulta médica autorizando-o a aplicar a injeção. Os terapeutas ocupacionais terão que deixar de fazer próteses e órteses. Nas unidades de terapia intensiva, os fisioterapeutas terão que pedir autorização de um médico para manter o paciente respirando. Um biólogo ou biomédico, mesmo sendo um Nobel em medicina, não poderá fazer um laudo de um exame. Os milhões de brasileiros que vivem na periferia, nas imensas regiões rurais e no interior, estão sem médicos. Como proibir uma enfermeira de fazer um parto nessas localidades pela simples razão de que a maioria dos médicos prefere trabalhar nos grandes centros urbanos? Os profissionais da saúde, mesmo ganhando muito menos que os médicos, querem trabalhar nesses locais. O Estado não pode impedir a população de ter a assistência daqueles que querem socorrer a vida em sua área de especialidades. O projeto de lei engessa o SUS ao obrigá-lo a ofertar primeiro a consulta médica para só depois liberar o paciente para o tratamento com os demais profissionais da saúde.  

Médico fez afirmativas ofensivas sobre profissionais da saúde ao Jornal do Brasil – Parte 1

O presidente do Conselho de Fisioterapia e Terapia Ocupacional do Estado de São Paulo (Crefito-SP), Prof. Dr. Gil Lúcio Almeida, responde (leia abaixo) às opiniões ofensivas sobre as profissões da saúde emitidas pelo presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Dr. Roberto d Ávila, em entrevista ao Jornal do Brasil On line. Leia também o artigo de Prof. Gil publicado na versão impressa do Jornal do Brasil, de 11 de janeiro, em resposta ao presidente do CFM.


O PRESIDENTE DO CFM, ROBERTO D ÁVILA, ALEGA QUE LIDERANÇAS DE ALGUMAS PROFISSÕES DA ÁREA DA SAÚDE TÊM INTERESSE EM QUE NÃO HAJA REGULAMENTAÇÃO DA MEDICINA. COMO É ISSO?
Gil Lúcio: Em primeiro lugar os Conselhos Federal e Regionais de Medicina foram criados em 1951 por força de uma lei federal. Desde então, O CFM já editou quase 2 mil resoluções e os Regionais já usaram milhares de vezes o poder de polícia para punir o exercício ilegal ou a má prática da medicina. Assim, a medicina no Brasil está de direito e de fato regulamentada há aproximadamente 60 anos. O Projeto de lei em debate objetiva regrar novos atos privativos dos médicos. Os conselhos de saúde sempre apoiaram o direito dos médicos de ter seus atos privativos definidos em lei. Escrevi dois artigos com o presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo defendendo o direito de todos os profissionais de terem seus atos estabelecidos em lei.
MAS PARA O CFM O DIAGNÓSTICO E O TRATAMENTO DAS DOENÇAS SÃO ATOS PRIVATIVOS DOS MÉDICOS.
Gil Lúcio: Existem no Brasil 14 profissões regulamentas da saúde. Para adquirir as habilidades e competências (estabelecidas pelo Ministério da Educação) dessas profissões para fazer os diagnósticos e os tratamentos das doenças, uma pessoa teria que estudar 60 anos. Como admitir que um médico estabeleça um tratamento em uma área que ele não conhece? Como admitir que um profissional atenda um paciente se ele não souber sequer identificar os principais sinais e sintomas da doença? No lugar de transformar os profissionais da saúde em técnicos, precisamos torná-los mais profissionais a cada dia. Para preservar os interesses dos pacientes é necessária uma legislação que puna rigorosamente a má prática dos profissionais em suas respectivas áreas de atuação. Delegar aos médicos o exercício de atos para os quais eles não possuem treinamento é instalar o caos e a irresponsabilidade nos serviços de saúde pública do Brasil. Foi exatamente pensando nos interesses da vida que os conselhos de saúde do Estado de São Paulo, incluindo o de medicina, celebraram um termo de compromisso em que cada profissão iria respeitar o direito da outra de realizar o diagnóstico, tratamento e prognóstico, em suas respectivas áreas de atuação. O Roberto d Ávila quer implantar no Brasil o que deu errado em Portugal. Como a lei daquele país deu aos médicos com exclusividade as prerrogativas de diagnosticar e prescrever tratamento das doenças, as profissões da saúde não se desenvolveram e hoje Portugal importa profissionais do Brasil.

NO BRASIL, QUANDO UMA PESSOA FICA DOENTE E VAI AO PRONTO-SOCORRO É O MÉDICO QUEM FAZ O DIAGNÓSTICO E O TRATAMENTO DA DOENÇA?
Gil Lúcio: Na presença de qualquer dor ou mal-estar súbito a pessoa deve procurar sempre o pronto-socorro. Lá ela encontrará uma enfermeira que irá fazer uma primeira triagem para verificar a gravidade do caso e encaminhá-la para um médico. Nesses casos os pacientes devem seguir à risca as determinações do médico. A maioria das doenças (i.e., câncer, diabetes, disfunções cardiovasculares, obesidade) que afligem a humanidade possui várias causas. Cada profissional da saúde é treinado para analisar parte dessas causas. Não é por outra razão que nos prontos-socorros, enfermarias e unidades de terapia intensiva dos mais modernos hospitais do Brasil e do mundo existe sempre uma equipe multidisciplinar de saúde. No entanto, quatro em cada cinco pacientes são portadores de doenças crônicas. Isto quer dizer que já passaram por vários especialistas, clínicas e hospitais e continuam sofrendo. Para esse grupo que consome a maioria dos recursos em saúde, a solução está na disponibilização dos serviços dos profissionais da saúde e não em pilhas de exames e caixas de remédios.

Continua…

segunda-feira, 8 de março de 2010

Filhotinho de Schistosoma mansoni…

Pois é… É o que pesquisadores do UCSF Sandler Center nos EUA fotografaram. Essa é a microscopia eletrônica de dois esquistossômulos (aproximadamente 200 x 60 µm). Antes desse estágio os parasitas estavam na forma de cercárias, que são as larvas responsáveis pela infecção em humanos.

Shistossoma

Nesse estágio de esquistossômulos ainda é possível que eosinófilos presentes na circulação eliminem o parasita desde que ele ainda não tenha passado pelos pulmões. Na passagem pelos pulmões o danadinho se reveste de várias proteínas e glicídios que desfarçam suas proteínas antigênicas malvadas, dificultando assim a identificação pelo sistema imune.

A importância desses “filhotinhos” de Schistosoma é a possibilidade de identificação de novas drogas contra o parasita que estão sendo desenvolvidas pelo UCSF Sandler Center.

Na foto é posível identificar algumas estruturas presentes no parasita adulto. A imagem apresenta uma visão ventral (barrigão pra cima) com a porção anterior (“cabeça”) no canto superior esquerdo. A ventosa ventral, que é a maior depressão na porção ventral já está começando a se desenvolver. Já é possível também a visualisação da ventosa oral e a presença de minúsculos espinhos na superfície do parasita que servem provavelmente pra facilitar sua entrada no hospedeiro e ajudar na deposição daquelas proteínas e glicídios para camuflagem contra o sistema imunológico.

Image Credit: The image was captured using a Novelx mySEM and is provided courtesy of Stephanie Hopkins and Conor Caffrey of the UCSF Sandler Center.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Linhaça é súper!

Estudos quentíssimos mostram que a semente do linho é mesmo capaz de impedir o crescimento do câncer de mama. Mas existem macetes na hora do consumo que você precisa conhecer para tirar o melhor proveito desse superalimento. Estão todos aqui!

Contam os arqueólogos que a linhaça era usada em mumificações no Egito. Outros achados apontam que era empregada com sucesso para tratar ferimentos. E, se antigamente fazia parte até mesmo de rituais, hoje ela marca presença nos laboratórios de grandes centros de pesquisa em nutrição. Na Universidade de Toronto, no Canadá, por exemplo, a cientista Lilian Thompson comprovou que a semente é capaz de barrar a metástase em pacientes com câncer de mama ou seja, a linhaça evitou que o tumor se espalhasse e tomasse conta do organismo.

Esse excelente resultado foi apresentado no 6° Simpósio Latino-Americano de Ciência de Alimentos, que aconteceu no mês passado na Universidade Estadual de Campinas, no interior paulista. Segundo a pesquisadora canadense, "trabalhos realizados em várias universidades mostram que a semente é capaz de diminuir o risco de outros tumores, como o de cólon e o de próstata". Somem-se essas boas notícias ao fato de a linhaça ajudar a controlar os níveis de colesterol.

Aqui no Brasil, mais precisamente na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, a equipe do Departamento de Nutrição também anda analisando a linhaça. O enfoque, entretanto, é outro. "Investigamos a segurança no consumo", conta a nutricionista Ana Vládia Bandeira Moreira. Explica-se: embora contenha substâncias capazes de prevenir doenças letais, o que faz dela um alimento funcional de primeira grandeza, a linhaça carrega compostos que poderiam interferir na absorção de nutrientes. Por enquanto o que se sabe é que o aquecimento da semente neutraliza esse inconveniente. Isso porque, segundo Ana Vládia, o calor diminui a atividade de algumas proteínas suspeitas de atrapalhar o aproveitamento de sais minerais. A sugestão é deixar a linhaça no forno baixo por 15 minutos. "Claro que, se ela for usada na preparação de receitas assadas, como pães ou biscoitos, não precisará disso", diz a pesquisadora, que continua mergulhada em seus estudos.

Outra dica para aproveitar ao máximo a semente é triturá-la no liquidificador. "É que a casca, bastante resistente, pode passar intacta pelo aparelho digestivo", justifica a farmacêutica bioquímica Rejane Neves-Souza, professora de nutrição da Universidade do Norte do Paraná. E aí as substâncias benéficas ficam impedidas de sair. "Mas tem que bater e comer logo, porque a linhaça é muito suscetível à oxidação", ensina o bioquímico Jorge Mancini Filho, da Universidade de São Paulo.

Os cientistas só não chegaram ainda a uma conclusão sobre a quantidade ideal de consumo. "Estamos em busca dessa resposta", suspira a nutricionista Ana Vládia. Quem dá bem a medida (sem trocadilho) da indefinição é a farmacêutica bioquímica Rejane Neves. Ela conta que já viu sugestões de porções as mais variadas de 25 gramas (1 colher de sopa bem cheia) até 45 gramas (quase 2 colheres) por dia. E comenta que alcançar esta última indicação é bem mais difícil. "A inclusão da semente no dia-a-dia deve ser gradativa".

Linhaça

Afinal, o que faz da linhaça um superalimento? "Sua casca guarda um mix de proteínas, minerais e vitaminas", responde o nutrólogo Durval Ribas Filho, presidente da Associação Brasileira de Nutrologia. Vale destacar a vitamina E, que contribui para o funcionamento celular e, por isso, afasta o envelhecimento precoce e as doenças degenerativas.

Outros ingredientes que compõem sua poderosa fórmula são o ômega-3 e o ômega- 6, atuando em perfeita harmonia. Essa dupla, nunca é demais lembrar, garante a saúde cardiovascular. Afinal, ambos atuam na redução do LDL, o mau colesterol, responsável por estragos nas artérias. "Diversos trabalhos apontam a semente do linho como protetora do coração", reforça Jocelem Salgado, presidente da Sociedade Brasileira de Alimentos Funcionais e professora da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, em Piracicaba, interior paulista.

INGREDIENTE DE DESTAQUE
Entretanto, o que torna a linhaça ímpar pra valer atende pelo nome de lignana, substância que começa a sair do anonimato. Não é para menos. Ela praticamente faz as vezes do estrógeno. "Ao se ligar a receptores celulares, a lignana funciona como um falso hormônio", justifica a farmacêutica bioquímica Rejane Neves- Souza. É o que os especialistas chamam de fitoestrógeno. Aliás, foi justamente esse componente o mais mencionado nos trabalhos da canadense Lilian Thompson.

Segundo a pesquisadora, estudos com grande número de pacientes mostram a relação entre a lignana e a redução dos tumores de mama. Esse composto comprovadamente atua na apoptose celular, um mecanismo de defesa que provoca o suicídio das células defeituosas. O incrível é que, no caso do câncer, esse programa de autodestruição simplesmente não costuma funcionar. Mas a lignana topa a parada e ativa a contagem regressiva para a célula doente se explodir. E olha que nem os grandes centros de pesquisa conseguiram desenvolver a contento drogas com essa capacidade. "Observamos esse efeito em 39 pacientes", afirma Lilian, que as orientou a consumir 25 gramas de linhaça por dia durante pouco mais de um mês.

A observação desses indivíduos pela equipe da Universidade de Toronto foi rigorosa. A linhaça ressalta a pesquisadora só pode ser usada no tratamento do câncer sob estrita avaliação médica. E é bom que se diga: mesmo quem está saudável não está livre para ingerir o alimento à vontade. "O excesso pode prejudicar a membrana das células", avisa o nutrólogo Durval Ribas Filho. E para quem pensa em lançar mão de pílulas de óleo de linhaça, alto lá! "Ingerir cápsulas de suplemento, aí mesmo só sob orientação!", avisa Durval.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Catuaba levanta até coração…

Segundo uma equipe dos EUA, a planta é capaz de reverter uma parada cardíaca.
por: Rodrigo Rezende

Que a catuaba é uma planta vendida como afrodisíaco potente, isso já faz parte do folclore brasileiro. Mas que ela é capaz de reverter uma parada cardíaca?

É exatamente o que uma equipe da USP afirma ter descoberto: ao testar um composto com a planta em corações de coelho, os órgãos dos bichinhos voltaram a bater normalmente. A mistura usada pela equipe do professor Irineu Tadeu Velasco, do Departamento de Clínica Médica da universidade, é bem brasileira: catuaba, guaraná, gengibre e muirapuama, e foi batizada como “catuama”.

Velasco estima que, em seis ou sete anos, a catuama pode substituir o equipamento de eletrochoque, o chamado desfibrilador, usado nas paradas cardíacas. “Há milênios, desde Abraão e Noé, é procurada uma droga como essa”, diz ele.

Se a catuama vier a substituir o choque, há duas mudanças à vista.

A primeira é que os hospitais economizariam 30 mil dólares por aparelho. A outra é que a pesquisa poderá influenciar os seriados médicos. Em vez de dar choques nos pacientes, os doutores da TV deverão gritar: “Catuama nele!”

Artigo original: Revista Superinteressante

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Saiba o que acontece quando você fuma!

Fumar faz muito mal. Você conhece as fotos, mas agora vai saber o que acontece dentro do corpo do fumante. O resultado é muito mais feio do que você imagina…
por: Luisa Destri

CÂNCER DE PULMÃO
Os sintomas da doença são tosse, catarro, falta de ar e muita dor se o tumor estiver próximo à parede torácica. 20% dos casos são muito agressivos, e tratados com quimio ou radioterapia. Já os outros 80% podem ser operados.

ads_anti_fumoCÂNCER DE LARINGE
O tratamento mais comum para esse câncer é a laringectomia, que obriga o paciente a respirar por uma cânula, como o homem da foto. Os principais sintomas são rouquidão, sangramento e perda da voz.

CORPO ESTRANHO
As substâncias cancerígenas do cigarro, como nitrosaminas e benzopireno, entram na corrente sanguínea e alcançam todas as células do nosso corpo.

MUITA MUTAÇÃO
O contato das substâncias com os ácidos do DNA pode causar mutações em genes relacionados a proliferação, diferenciação e mortalidade da célula.

TUMORES
Se o fumante tiver predisposição a produzir a enzima do citocromo P-450, essas células diferenciadas dão origem a células-filhas mutadas, que formam os tumores.

DOENÇAS RESPIRATÓRIAS
Faz menos mal fumar do que ficar inalando a fumaça que sai do cigarro. Esse ar tem 3 vezes mais nicotina, de 3 a 8 vezes mais monóxido de carbono e 47 vezes mais amônia do que o que entra no corpo do fumante passando pelo filtro.

PNEUMONIA
Para se defender do cigarro, o pulmão produz muito muco, o que exige toda sua capacidade imunológica. As secreções, então, viram um prato cheio para bactérias, como a Streptococcus pneumoniae, principal causadora da pneumonia.

SINUSITE
As glicoproteínas presentes no cigarro inflamam as mucosas da face. São as alterações na produção de muco que levam a infecções e provocam a dor típica da doença.

ASMA
A acetona do cigarro inflama os brônquios. Para evitar que mais substâncias tóxicas invadam o corpo, o pulmão aciona um mecanismo de defesa e diminui o fluxo de ar. Daí surge a crise asmática e a sensação de sufocamento.

NECROSE
A falta de oxigênio leva à necrose.

GANGRENA
Quando os problemas de oxigenação acontecem em lugares periféricos do corpo, como pés e mãos, às vezes a amputação é a única solução possível.

CARBONO DEMAIS
O monóxido de carbono liberado pela fumaça tem afinidade química 250 vezes maior para se ligar à hemoglobina do que o oxigênio. Com isso, todos os órgãos têm sua oxigenação prejudicada.

APERTADINHO
A nicotina inflama o endotélio, a parede interna dos vasos, e estimula a produção de catecolaminas – substâncias liberadas no sistema nervoso simpático que estreitam as veias e artérias. Ou seja, a passagem do sangue fica bem complicada.

PLAQUETADA
O cigarro desregula as plaquetas, o que ao mesmo tempo leva à formação de trombos e facilita a formação de coágulos. Ambos podem levar ao entupimento dos vasos e impedem o fornecimento de oxigênio.

ABORTO ESPONTÂNEOfumo_03
O tabaco é responsável por 70% dos casos de aborto espontâneo. O embrião sem oxigênio sofre de má nutrição e vai enfraquecendo, até morrer de uma espécie de falência geral.

BEBÊ PREMATURO
Se a gravidez for levada até o fim, o bebê pode nascer com baixo peso ou com imaturidade pulmonar, o chamado “bebê chiador”, com problemas respiratórios como a bronquite.

FOME
Quando falta oxigênio no sangue da mãe, o feto é quem mais sofre. Além de levar à má nutrição, o carbono no sangue pode provocar o descolamento da placenta.

IMPOTÊNCIA
Para que a ereção ocorra, é necessário um intenso fluxo sanguíneo na região peniana – o que a nicotina não permite. A boa notícia é que isso só acontece a longo prazo, e depende da vulnerabilidade de cada um.

MUITO VISCOSO
O corpo percebe a baixa concentração de oxigênio e começa a produzir mais hemácias. Isso deixa o sangue mais viscoso e dificulta a circulação dentro do pênis.

SEM SANGUE
Normalmente, os vasos se dilatam e enchem os corpos cavernosos do pênis de sangue. Com as veias obstruídas por causa do cigarro, não há o que o levante.

Fontes Ana Cecilia Marques, do Departamento de Dependência da Associação Brasileira de Psiquiatria; Ana Terezinha Guillaumon, professora de medicina da Unicamp; Jaqueline Scholz, diretora do Núcleo Antitabagismo do Hospital das Clínicas de São Paulo; Maria Aparecida Koike Folgueira, da Área de Oncologia da Faculdade de Medicina da USP; Ricardo Meirelles, pneumologista do Instituto Nacional do Câncer.

Artigo original: Revista Superinteressante

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Higiene faz mal à saúde!?

Nunca vivemos em meio a tanta limpeza. E isso pode estar deixando as pessoas mais doentes…
por: Bruno Garattoni

Nunca fomos tão limpos. Por dentro e por fora: dos banhos diários à comida pasteurizada, do papel higiênico à água clorada, dos antibióticos ao aspirador de pó, uma série de avanços culturais e tecnológicos eliminaram boa parte dos microorganismos com os quais nossos antepassados sofriam. Várias doenças deixaram de existir, a expectativa de vida aumentou.

Os purificadores de ar acabam com os ácaros, a comida industrializada tem conservantes e antibióticos, e até os animais de estimação estão mais limpos. Mas esse estilo de vida asseado pode fazer mal, aumentar a incidência de certos tipos de doença.

Hoje, nos EUA, mais de 50% das pessoas têm algum tipo de alergia – o dobro da década de 1980. E os jornais publicam notícias assustadoras sobre a comida: só num dos casos, ano passado, 10 milhões de quilos de carne tiveram de ser recolhidos do mercado devido a contaminação. Até o reles amendoim é tratado como se fosse ameaça biológica – como há crianças que podem morrer se sentirem o cheiro dele, as escolas americanas estão criando “zonas livres de amendoim”. O que está acontecendo?

img_20091123_164818Bom, lembra de quando você era criança e chegava imundo em casa? Aí sua mãe mandava correr para o banho. Ela estava errada. “Se você tiver um gato antes do nascimento do seu filho, a criança nasce mais protegida contra alergia (a gato), devido às substâncias liberadas pelo animal. Isso foi comprovado em alguns estudos”, diz Evandro Alves do Prado, professor da UFRJ e diretor da Sociedade Brasileira de Alergia e Imunopatologia. Ele cita outros casos intrigantes: “Alguns trabalhos feitos na Alemanha mostram que, em famílias com muitos filhos, o irmão caçula estaria protegido de alergias, devido ao contato com os irmãos mais velhos. E pessoas que moram em áreas rurais, em contato com esterco de boi, de cavalo, também acabariam mais protegidas”.

Mais: além de ajudar o corpo a criar resistência contra microorganismos, a exposição a sujeiras no dia-a-dia ajudaria a refrear a fúria do sistema imunológico. Num estilo de vida superurbano, avesso à sujeira, as células de defesa do organismo não têm tantos inimigos para combater e acabam surtando. Desse jeito, elas podem entender o amendoim, por exemplo, como um inimigo. E reagir violentamente (na forma de uma alergia). Outra manifestação de um sistema imunológico pirado é atacar as próprias células do corpo, coisa que pode dar nas chamadas doenças auto-imunes (asma, artrite, esclerose).

É o que prega a “hipótese da higiene”, uma teoria que já existe há algum tempo, e que nunca foi consenso. Mas agora estão surgindo algumas pesquisas que parecem comprová-la. Um estudo feito na Universidade Duke, nos EUA, mostrou que ratos selvagens têm menos tendência a desenvolver certas doenças do que os de laboratório, habitantes de um ambiente tão limpo quanto um hospital de primeira. Tudo por causa de dois tipos de anticorpo: o IgG, ligado a alergias, e o IgE, que pode desencadear as doenças auto-imunes.

“Os ratos selvagens têm mais anticorpos. Mas eles não causam patologias, pois se ligam a agentes externos. Nos animais de laboratório, provocam reações alérgicas e auto-imunes”, diz o professor William Parker, responsável pelo estudo.

bebe-sujeira-grandeAlém de fazer o organismo endoidar, a limpeza excessiva também pode nos deixar vulneráveis a bactérias e parasitas. O próprio governo dos EUA desaconselha o uso de produtos de limpeza com bactericidas, que são considerados ineficazes e perigosos, pois poderiam estimular o surgimento de bactérias hiper-resistentes. Pelo mesmo motivo, a ong Union of Concerned Scientists (algo como “União dos Cientistas Engajados”), voltada para assuntos de saúde, protesta contra o uso indiscriminado de antibióticos: nos EUA , o consumo deles subiu 50% desde a década de 1980 – sendo que a grande maioria, mais de 90%, é consumida pelos bois, vacas e galinhas que a gente come. A comida moderna, superdesinfectada, pode ser perigosa.

a defesa da sujeira vai além: para alguns cientistas, o aumento no número de nascimentos por cesariana é um dos responsáveis pela explosão das alergias. É que nesse tipo de parto, mais limpo, a criança não passa pela vagina da mãe. Então não tem contato com a infinidade de bactérias que vivem lá, e acaba com o sistema imunológico pouco calejado. Parece absurdo, né? Mas, se você levar em conta que o corpo humano carrega 10 vezes mais células de bactérias do que de gente, faz sentido.

A imundície, veja só, pode até curar: dois estudos recentes mostram que determinados tipos de parasitas e bactérias aliviam, respectivamente, os sintomas da esclerose múltipla e da depressão.

Convencido? Calma: ninguém está dizendo pra você parar de tomar banho, rolar na lama ou deixar a casa emporcalhada. Contra as doenças da limpeza, a grande aposta dos cientistas é a sujeira high-tech: a empresa alemã Ovamed já vende um tratamento, de 2 200 euros, que supostamente alivia alguns tipos de doenças auto-imunes. São ampolas cheias de Trichuris suis ova – versão esterilizada de um parasita encontrado no intestino do porco. Você toma junto com água, no café da manhã. Vai encarar?

Artigo original: Revista Superinteressante

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Por que a homeopatia funciona?

A rigor, os remédios homeopáticos são só água ou açúcar, sem nenhum resquício de princípio ativo. Mas muita gente diz que se cura com eles. Qual pode ser o mistério por trás disso?
Texto por: Giovana Girardi

Se é que funciona, há que se ponderar. Isso porque os estudos que avaliam a eficácia da prática não são exatamente conclusivos e ora lhe dão aval, ora a desabonam. A Organização Mundial da Saúde (OMS), por exemplo, afirma que o método se mostrou superior a pílulas de farinha em testes clínicos. E no Brasil ela é reconhecida como especialidade médica pelo Conselho Federal de Medicina – algumas faculdades inclusive oferecem disciplinas optativas sobre o assunto. Por outro lado, uma batelada de pesquisas diz que seu funcionamento não passa de efeito placebo – os resultados positivos seriam obtidos pela crença do paciente de que a terapia vale.

A homeopatia trabalha com medicamentos diluídos em água até o ponto de não restar mais traço deles no líquido. O criador da técnica, o alemão Samuel Hahnemann (1755-1853), inspirou-se na “lei da semelhança”. Em linhas gerais, ela diz que a mesma substância que causaria uma doença em alguém saudável pode reverter esses sintomas numa pessoa já doente. O veneno de abelha, por exemplo, poderia tratar sintomas de alergia se manipulado de modo homeopático.

Como a substância praticamente desaparece ao ser diluída em água, a eficácia do tratamento sempre foi bastante questionada. Para os defensores da homeopatia, a explicação está em uma suposta “memória da água”, na qual ficaria preservado o potencial terapêutico do medicamento. Um trabalho publicado em 2003 na revista científica Physica A mostrou que, ao ser congelado, um copo com cloretos de sódio e de lítio diluídos em água até quase desaparecerem apresentou diferenças estruturais ao ser comparado com um copo de água pura. A avaliação foi feita por meio de uma técnica conhecida como termoluminescência, que detecta a estrutura de substâncias sólidas.

Água fria
Em 2005, no entanto, uma pesquisa publicada na revista especializada Nature jogou água fria, com o perdão do trocadilho, nessa crença. Os pesquisadores, liderados por R.J. Dwayne Miller, da Universidade de Toronto (Canadá), demonstraram que de fato a água consegue armazenar as propriedades de substâncias diluídas nela até sumirem. Mas somente por 50 femtossegundos (1 femtossegundo equivale a 1 bilionésimo de milionésimo de segundo) – um nada de tempo, em português claro. Outro baque ocorreu alguns meses depois, naquele mesmo ano, quando a revista médica britânica The Lancet praticamente declarou guerra contra a homeopatia. Acompanhando um estudo que concluiu que os benefícios do tratamento se restringem ao efeito placebo, a revista publicou um editorial intitulado O Fim da Homeopatia. Nele, os editores da publicação se diziam surpresos com o fato de o debate continuar mesmo depois de “150 anos de resultados desfavoráveis”.
Pesquisadores da Universidade de Berna, na Suíça, fizeram uma revisão de 110 testes clínicos que analisavam o efeito de produtos homeopáticos para doenças que iam de infecções respiratórias a dores pós-cirúrgicas. A comparação em todos os casos era com placebos. O que os cientistas notaram é que pacientes dos dois grupos apresentaram resultados bastante semelhantes – a homeopatia não se mostrou melhor que o placebo para curar alguém. Se ela funciona para algumas pessoas, a responsabilidade seria da mente do paciente, não do remédio.

Diluir uma substância, em geral, diminui a intensidade de sua ação. Mas, para os homeopatas, quanto mais diluído, mais potente o remédio.

Artigo original: Revista Superinteressante

Dopping

Por: Rafael Tonon

Quando surgiu?

Por volta do ano 800 a.C., com estimulantes à base de cogumelos.

Qual o primeiro registro em Olimpíadas?

O do maratonista Thomas Hicks, pego em 1904 por causa de estricnina e conhaque.

Qual a substância mais usada?

Os esteróides anabolizantes – usados em 40% dos casos de doping.

Quantos atletas já foram pegos?

67.

Algum brasileiro?

Em Olimpíadas ou Pan-Americanos, nenhum.

Qual o recorde em Olimpíada?

14 casos, em 2004.

E o esporte mais “sujo”?

Levantamento de peso e atletismo, esportes em que vantagens mínimas fazem muita diferença.

Fonte - Agência Mundial Antidoping e Eduardo De Rose, membro da Comissão Médica do Comitê Olímpico Internacional e presidente da Federação Internacional de Medicina do Esporte.

Artigo original: Revista Superinteressante

Prosopagnosia: Eu te conheço?

Já pensou como seria viver sem reconhecer o rosto de ninguém, e não identificar nem mesmo a sua própria cara? Seja bem-vindo ao mundo misterioso da prosopagnosia - uma das doenças mais bizarras que existem!
Por: Tarso Araújo

Minas Gerais, férias de verão. A produtora de moda Mônica, de 24 anos, está com um amigo numa lanchonete quando chega outro jovem. Ela o cumprimenta polidamente. Meio espantado, o amigo pergunta: “Mônica, você não se lembra do Marcelo?” Ela não consegue reconhecer o tal Marcelo, que dá um sorrisinho constrangido. Era seu ex-namorado. São Paulo, Hospital da Unifesp. O médico Rodrigo Schultz, de 25 anos, está trabalhando no setor deneurologia. Até que chega uma paciente se queixando de um estranho problema. Schultz mostra uma foto à paciente e pergunta: “Quem é esta mulher?” A paciente não sabe responder, mas a pessoa em questão era ela mesma. Nos dois casos, o diagnóstico foi o mesmo: prosopagnosia, uma estranha doença que torna o cérebro incapaz de identificar rostos.

A prosopagnosia foi descoberta no front de batalha. O ano é 1944, e estamos na 2a Guerra Mundial. Durante um bombardeio russo, um soldado nazista se fere – alguns estilhaços de bomba atingem sua cabeça, causando lesões cerebrais. Ele é tratado pelo neurologista alemão Joachim Bodamer, que faz uma operação para remover os estilhaços e depois aplica um teste para avaliar o estado do paciente. O médico pede que a esposa do soldado vista um uniforme de enfermeira e fique entre enfermeiras de verdade. Aí pergunta ao doente: “Percebe algo de diferente nessas mulheres?” O soldado diz que não. Ele simplesmente não reconhece mais a esposa. Bodamer faz mais testes e constata o que aconteceu: o paciente está normal, só que não consegue mais identificar rostos. Nenhum deles. Para batizar esse estranhíssimo sintoma, o médico cria o termo prosopagnosia: uma junção das palavras gregas prosopo (“rosto”) e agnosia (“sem conhecimento”).

O que Bodamer não sabia, e só recentemente a ciência descobriu, é que a prosopagnosia também pode ser genética e afetar pessoas comuns – que não levaram nenhuma pancada na cabeça. E ela é muito mais freqüente do que se pensa. Em 2006, num estudo com 689 voluntários selecionados de forma aleatória, o geneticista alemão Thomas Grüter diagnosticou nada menos que 17 casos de prosopagnosia – o que dá 2,5% da amostra. “Existem cerca de 2 milhões de pessoas com prosopagnosia na Alemanha. E, provavelmente, milhões delas no Brasil”, afirma Grüter (para ser mais preciso, até 4,7 milhões). Parece um exagero para você? O neurocientista Brad Duchaine, da Universidade de Londres, chegou a um resultado parecido: de 1 600 indivíduos testados, cerca de 2% tinham alguma dificuldade em reconhecer rostos.

Mas, se a doença é tão comum, por que as ruas não estão cheias de prosopagnósicos? É que, na maior parte das vezes, as pessoas nem se dão conta de que têm o problema. “A pessoa compensa isso, encontra outras formas de reconhecer rostos, e sua dificuldade não aparece”, afirma Duchaine. Pelo que já se sabe, a prosopagnosia afeta todos os tipos de gente. Você, inclusive, pode ter e não saber (veja no final desta reportagem como fazer o teste). Não é motivo para se jogar pela janela. Ela só atrapalha nos casos mais fortes, quando realmente destrói a capacidade de identificar rostos – e muda totalmente a vida das pessoas.

Se você perguntar a uma pessoa normal como ela reconhece um rosto, provavelmente vai ouvir algo simples, do tipo: “olhando para ele, oras”. Se for alguém com prosopagnosia, no entanto, a resposta será bem mais elaborada. “Eu vejo como a pessoa se mexe, reparo na voz, no cabelo, no sapato, procuro características marcantes”, diz a produtora de moda Mônica – aquela que, no começo desta reportagem, não identificou o ex-namorado. Ela jura que reconhece o atual namorado, apesar de o relacionamento ser recente. “Ele tem um cabelo encaracolado, e isso ajuda bastante.” Cabelo, aliás, é uma referência frágil. “Quando minhas clientes cortam ou mudam o penteado, é um problema. Às vezes coloco a culpa na miopia, para não dar vexame.”

Mesmo com essas estratégias, ou justamente por causa delas, os prosopagnósicos costumam levar mais tempo que o normal para reconhecer alguém. “Quando encontro alguém na rua, levo alguns segundos montando um quebra-cabeça com diferentes pistas até descobrir quem é a pessoa”, diz Mônica. A mãe dela, Maria, também tem prosopagnosia e enfrenta ainda mais dificuldade – chega a levar vários minutos para reconhecer as pessoas. Como todos os prosopagnósicos, Mônica e Maria são consideradas esnobes pelas outras pessoas. E, por causa das dificuldades que enfrentam, desenvolveram uma personalidade tímida e reservada. “Nunca consigo reconhecer uma pessoa na segunda vez em que a vejo. Passei a caminhar na rua de cabeça baixa, para ter a desculpa de que não vi as pessoas caso elas me reconheçam e eu não.”

Os prosopagnósicos não têm nenhum tipo de problema de visão e, da mesma forma que observam e guardam outros detalhes das pessoas, são capazes de distinguir claramente se alguém está feliz ou triste. Mas o que eles vêem, então, quando olham para uma face? “Eu não consigo ‘montar’ o rosto inteiro. Se eu fechar os olhos, só lembro das partes, nunca do conjunto. E isso acontece inclusive com o meu próprio rosto: não consigo imaginá-lo mentalmente”, diz a estudante de arquitetura Patrícia, 30 anos.

Se isso já parece um pouco assustador, veja a situação dos americanos Bill Choissier e Mordechai Housman, que estão entre os piores casos de prosopagnosia já documentados. Choissier, que é advogado, cresceu sem reconhecer os próprios pais. Isso afetou sua relação com a mãe e também prejudicou sua vida profissional – como não reconhecia os juízes com os quais trabalhava, acabou tachado de arrogante. Já o mestre-de-obras Housman não reconhece os 3 filhos. Ele sabe que são suas crianças, mas não diferencia uma da outra. Ou, então, a história da inglesa Zoe Hunn. Quando ela tinha 14 anos, suas amigas a inscreveram num concurso de beleza. Ela nunca tinha prestado muita atenção ao próprio rosto. Zoe ganhou, virou uma modelo bem-sucedida e capa de revista. Só que ela não se reconhecia nas fotos, caiu em depressão e teve de procurar acompanhamento psicológico. Zoe era linda, mas não sabia. E também não sabia quem era. Terrível, não? Mas o que acontece, afinal, no cérebro de uma pessoa que sofre de prosopagnosia?

Lembra de mim?

A doença tem dois grandes subtipos. O mais simples é a prosopagnosiaadquirida. Examinando as pessoas que sofrem desse mal, a medicina fez uma descoberta revolucionária: existem regiões do cérebro especializadas em processar faces (antigamente, acreditava-se que os rostos eram processados pela mente como se fossem um objeto qualquer – uma árvore ou uma cadeira, por exemplo). São 3 estruturas: sulco temporal superior (STS), área occipital facial (AOF) e área fusiforme facial (AFF). A prosopagnosia adquirida surge quando, por causa de derrames ou ferimentos, essas áreas sofrem algum dano.

Já a prosopagnosia congênita – ou hereditária – é a mais comum, e a mais misteriosa. Até o momento, a ciência só sabe que ela tem origem genética. O especialista alemão Ingo Kne sugere que apenas um gene seja responsável pela condição. Mas ninguém tem pistas de qual seria esse gene. Exames de ressonância magnética, que analisam a atividade cerebral enquanto as pessoas realizam tarefas específicas, têm sido usados para investigar como o cérebro funciona na hora de reconhecer um rosto em pessoas com prosopagnosia congênita. Mas eles ainda não oferecem muitas conclusões. A falta de exames precisos limita a capacidade dos médicos de diagnosticarem a prosopagnosia. Até agora só existem métodos subjetivos, baseados em entrevistas e testes com os pacientes. “Perguntamos a eles sobre alguns sintomas que sempre aparecem em casos de prosopagnosia hereditária”, diz Thomas Grüter. “Mas tão poucos médicos conhecem a condição, ou mesmo o termo, que se você for a um consultório e disser que não reconhece faces o doutor provavelmente dirá que ‘é assim mesmo. Algumas pessoas são ruins com números, outras com nomes, e isso é normal’. Talvez ele recomende um oftalmologista.”

A má notícia é que não existe tratamento nem esperança de cura para a prosopagnosia num futuro próximo. A boa é que, tirando os casos mais extremos, as pessoas com esse estranho problema levam vidas relativamente normais. Mas então para que toda essa conversa sobre a doença? “Encontrar o gene responsável pela prosopagnosia hereditária nos ajudará a entender a base genética do desenvolvimento do cérebro”, afirma Grüter. “E mais: a pesquisa pode nos levar a entender como funcionam as unidades cerebrais de reconhecimento facial.” Traduzindo em linguagem comum: entender a prosopagnosia pode ajudar a medicina a resolver doenças mais sérias, como Alzheimer (pois uma das conseqüências desse mal é, justamente, a prosopagnosia). Enquanto esse dia não chega, quem sabe as pesquisas sobre prosopagnosia consigam pelo menos aliviar as situações embaraçosas e saias-justas que tanto incomodam as pessoas que não reconhecem rostos. Como o dia em que a vendedora Maryanna Alba não reconheceu um cliente numa reunião, e seu chefe suspeitou de que ela nunca o visitara antes. Ajudar Patrícia a levantar a cabeça quando caminha pela rua, sem medo de que os conhecidos a confundam com uma antipática que não cumprimenta as pessoas direito. Também, claro, melhorar a vida amorosa da esquecida Mônica. E até, quem sabe, mudar a sua: acesse agora super.abril.com.br/faces para fazer um teste online, desenvolvido pela Universidade de Cambridge, que mede a sua capacidade de reconhecer faces.

Artigo original: Revista Superinteressante