segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Doenças tropicais negligenciadas no Brasil

Ultimamente, tenho pensado seriamente em começar um mestrado em Doenças Infecto Parasitárias assim que terminar a minha graduação. por isso resolvi mostrar um panorama geral sobre os vários males que assolam a população da América Latina e principalmente o Brasil.

Hoje nós sabemos que a pesquisa médica no Brasil está se desenvolvendo em uma incrível velocidade, no entanto, doenças infecto-parasitárias relativamente simples de serem  reduzidas ou até mesmo eliminadas são negligenciadas pelas autoridades, talvez, devido à forma de política envolvida e a péssima distribuição de renda existente, o que aumenta ainda mais a pobreza que é a principal responsável pela aparição desse tipo de doenças em países em desenvolvimento como o Brasil.

De acordo com o Banco Mundial, 22% da população da América Latina e Caribe vive com menos de US$ 2 por dia, no Brasil, essa porcentagem não se altera, sendo considerado um dos países com a pior distribuição de renda das Américas, o que piora ainda mais a sua situação frente à doenças tropicais negligenciadas. Os 40 milhões de brasileiros que vivem nessas condições de pobreza totalizam um terço de toda a população pobre que vive tanto na América Latina quanto no Caribe.

Embora a pobreza seja relativamente proporcional entre esses países, as doenças tropicais são exageradamente maiores no Brasil. Tracoma e Hanseníase (em menores casos) e em maiores casos, Ancilostomose, Esquistossomose, Leishmaniose Visceral, etc… Essas e muitas outras doenças deveriam acompanhar os números da pobreza na América Latina e Caribe, porém acabam aparecendo em quantidades alarmantes no Brasil.

A expressão “Varrer a sujeira para baixo do tapete” sugere um problema que sabe-se que existe, porém é escondido para que outras pessoas que vêm de fora tenham uma falsa visão de uma casa limpa. Com o Brasil não é diferente, a péssima distribuição de renda atingiu limites tão alarmantes que os próprios subsídios para a pesquisa médica se direcionam para males que englobam a parcela rica da sociedade. Não que essas doenças não sejam importantes de serem estudadas, mas a falta de recursos para o combate das doenças tropicais (e que atingem a parcela pobre da população), piora ainda mais o seu estado no Brasil.

Por outro lado, nós brasileiros estamos caminhando para uma reversão desse quadro lamentável. Graças a algumas mudanças na forma do governo atual, a pobreza vem sendo cada vez mais reduzida e o país tem na FIOCRUZ e outras universidades, órgãos comprometidos com o controle de doenças infecto-parasitárias. O país já se tornou liderança internacional no controle e eliminação da Doença de Chagas e já fez grandes avanços no controle da Filariose Linfática e oncocercose. Se continuar a agir desse modo, grandes avanços na redução da pobreza e distribuição de renda irão mudar a situação das doenças tropicais, mas enquanto isso ainda não acontece devemos cada vez mais nos comprometermos com a pesquisa e desenvolvimento dentro dessa área, o que ajudaria de forma única milhões de brasileiros que ainda hoje vivem em condições lamentáveis.