sábado, 2 de agosto de 2008

Por dentro dos novos tratamentos com células-tronco - Parte 2

Esclerose múltipla

Cassio de Oliveira, de 34 anos, é o protótipo do jovem descolado. Brinco na orelha esquerda, jaqueta desbotada, jeans e tênis. Em nada lembra um doente enquanto fuma uma cigarilha e conta sua história. Uma história pesada. Há cinco anos, voltava de uma pelada com os amigos quando sentiu a perna esquerda adormecer. Nas semanas seguintes, começou a perder força, enxergar tudo dobrado, tremer a ponto de não conseguir segurar uma xícara de café. Em seis meses, veio o diagnóstico: esclerose múltipla.

A doença sem causa estabelecida provoca a degeneração progressiva dos nervos, atacados pelo próprio sistema imune do doente. Em pouco tempo, Cassio não tinha forças para ir até a padaria da esquina. O tratamento não fazia efeito. Ele começou a usar muletas. Estava pesquisando preços de cadeira de rodas quando soube de um estudo com células-tronco realizado pelo médico Nelson Hamerschlak, do Hospital Albert Eisntein, em São Paulo, em parceria com Júlio Voltarelli, da Universidade de São Paulo, em Ribeirão Preto.

O processo não é simples. Cassio teve de fazer quimioterapia para matar as células da medula óssea. Com o sistema imune "desligado", recebeu um soro para apagar a "memória" celular que marcava o tecido nervoso dele mesmo como um alvo a ser atacado pelo sistema de defesa do organismo. Depois, recebeu na veia injeções de células-tronco retiradas previamente de seu sangue. Eram células-tronco da medula óssea, induzidas a migrar em grande quantidade para o sangue. Durante todo o processo, perdeu 35 quilos. Um ano depois, a evolução de Cassio é surpreendente. A doença regrediu, e ele voltou a ter vida quase normal. Dirige, pega metrô e tem a felicidade de acordar e comprar pão na padaria sem depender de ajuda.

Nem todos tiveram a mesma sorte. Dos 41 submetidos à terapia, três morreram. Os médicos acreditam que a quimioterapia dada no início do estudo, em 1999, era muito forte. Com a mudança das drogas, não houve mais mortes. Na maioria dos voluntários, a doença estacionou. Mas não regrediu, como no caso de Cassio e de outro paciente. O que fez a diferença? Para Cassio, o otimismo pode ter conspirado a seu favor. "Acreditar na recuperação fez diferença. Existe tanta generosidade no mundo e a gente só percebe quando passa por uma situação dessas", diz. "Todos acreditaram na minha recuperação, e isso ajudou muito." A ciência não explica tamanha recuperação. "Sabemos que inibimos o sistema imune. Mas não sabemos se reconstituímos nervos", diz Hamerschlak. "Se a célula-tronco da medula migrou para os nervos, é possível que isso possa explicar a regressão da doença."

As limitações da técnica:
- Não serve para os casos de doença avançada, quando o paciente já está em cadeira de rodas.
- Ainda não se sabe qual é a dose ideal de quimioterapia.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Por dentro dos novos tratamentos com células-tronco - Parte 1

"Elas estão mudando a vida dos primeiros brasileiros tratados. Mas os efeitos observados desafiam os cientistas. Serão duradouros?"

Células-tronco, segundo a definição científica, são aquelas que têm o potencial de se transformar em diferentes tecidos do corpo humano. No imaginário popular, elas são muito mais que isso. São sementes mágicas capazes de regenerar corações combalidos, reverter os sinais implacáveis da passagem do tempo, construir órgãos inteiros sob encomenda. Para os primeiros pacientes tratados em experiências realizadas no Brasil, as novas pesquisas são a materialização de uma segunda chance de vida.

Na maioria dos casos, essas pessoas não tinham outro recurso terapêutico. Sofriam de doenças graves, enfrentaram inúmeros tratamentos sem sucesso, tinham perdido a capacidade de planejar o futuro. Até que descobriram cientistas que estão tentando entender como funcionam as células-tronco. Decidiram apostar, embora os estudos envolvam riscos conhecidos e desconhecidos. Muitos pacientes voltaram à vida normal e recuperaram a esperança. Nem todos tiveram a mesma sorte.

Desde que a imprensa começou a dar grande destaque às experiências com células-tronco, o público tem interpretado potencialidades como fatos concretos, inegáveis, ao alcance da mão. É por isso que, a cada reportagem sobre experiências em humanos desenvolvidas no Brasil, o e-mail e o telefone dos pesquisadores ficam congestionados. Os pacientes têm pressa. Oferecem-se como cobaias dizendo que não têm nada a perder. E sempre há o que perder. Na melhor das hipóteses, perde-se tempo. Na pior delas, vida.

É compreensível que pessoas desesperadas vasculhem a internet em busca de experiências e aceitem correr riscos. Mas a pesquisa com células-tronco ainda está em sua infância. Há mais dúvidas que certezas. Por enquanto, os únicos estudos clínicos disponíveis no Brasil e no exterior são realizados com células-tronco adultas, aquelas que são extraídas da medula óssea ou do sangue do próprio paciente. A razão: a experiência com transplantes de medula para tratamento de leucemia, realizados com sucesso desde os anos 60, dá aos médicos alguma segurança para desbravar essa área.

Na maioria dos casos, o sucesso relatado pelos pesquisadores ainda é relativo. Embora as terapias em teste não beneficiem todos os pacientes, a recuperação de alguns indivíduos surpreende. Raramente os cientistas conseguem explicar as razões do sucesso. Nem podem garantir que os resultados positivos sejam duradouros. Os pesquisadores ainda não sabem domar as células para que virem o tecido desejado. O máximo que têm feito é depositá-las na região lesada e torcer para que se transformem nas células necessárias.
Diante de tantas dúvidas, há um embate entre os cientistas de laboratório – mais interessados em pesquisa básica – e os médicos, que vivem diariamente o drama da falta de opção dos pacientes e têm pressa em testar terapias. Pesquisadores como Amy Wagers, da Universidade Harvard, acreditam que os médicos estão se precipitando ao sair aplicando células-tronco em pacientes. Acham que o mecanismo de ação permanecerá desconhecido enquanto os médicos continuarem injetando nos voluntários diferentes populações de células da medula. É como se uma informação fundamental ficasse trancada numa caixa-preta.

Clínicos como o cardiologista Joshua Hare, da Johns Hopkins University, discordam. "Não vamos compreender completamente os mecanismos se não pudermos testar as terapias em pacientes", diz. No Brasil, muitos médicos seguem o raciocínio de Hare. Por isso, o país é o que tem maior número de pacientes inscritos em testes de terapias com células-tronco. "O mecanismo de ação da aspirina só foi descoberto depois de décadas de utilização do remédio", diz o fisiologista Luiz Eugenio Mello, pró-reitor de graduação da Universidade Federal de São Paulo. "Às vezes, entender que uma estratégia funciona vem antes de entender como ela funciona."

Nas próximas páginas, ÉPOCA relata os resultados das mais recentes pesquisas em andamento no Brasil. Para os cientistas, as evidências de sucesso ainda precisam ser confirmadas por estudos mais amplos. Para os pacientes, no entanto, elas são sinais inegáveis de que a vida pode ser reinventada.

Retirado da Revista ÉPOCA, edição 475

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Homem ou Primata?

















Para o geneticista Wen-Hsiung Li, nascido em Taiwan e radicado na Universidade de Chicago, entender a evolução humana pode reduzir o preconceito entre as pessoas. Ele acredita que agora temos um conhecimento bastante bom do assunto, mas restam grandes mistérios.

Essas foram as conclusões finais da palestra deste fim de semana. Para ajudar nessa compreensão de como chegamos a ser o que somos, ele mostrou estudos - dele e de outros - que mostraram que humanos são muito parecidos com os outros grandes primatas - chimpanzés, bonobos, gorilas e orangotangos. Um desses estudos, publicado em 2001, analisou trechos do DNA dos grandes primatas e encontrou, em média, 1,2% de diferenças entre as seqüências de humanos e de chimpanzés.

Boa parte da diferença não está, portanto, na seqüência genética. Está na regulação dos genes: quando genes são ligados ou desligados? Onde no organismo? Com que intensidade funcionam? É essa regulação, diz ele, que afeta o desenvolvimento embrionário, a fisiologia e a saúde. E que nos torna diferentes de chimpanzés.

A linguagem é uma dessas diferenças. Pois existe um gene - segundo ele o único até agora detectado que influencia especificamente a fala e o desenvolvimento da linguagem - que sofreu mais mutações ao longo da evolução humana do que se esperaria comparado ao resto do material genético. É o FOXP2. Será que a seleção natural favoreceu os falantes? Fica a pergunta.

Outro exemplo que Li apresentou foi cor de pele. Alguns genes regulatórios afetam coloração tanto de peixes como de humanos. Como essas características se alteram ao longo do tempo? Ele não entrou em muitos detalhes, mas diz que certas variantes dos genes foram selecionadas durante a evolução recente.

Faltou aprofundar-se mais, fica a curiosidade. De todo jeito, este é um resuminho rápido. Na edição de agosto da revista de Pesquisa Fapesp sairá um relato mais detalhado, que estará também aqui. E aqui deverá entrar um outro resuminho, junto com uma amostra de vídeo da palestra.

Texto retirado do Blog "Ciência Idéas"

A visualização do impulso nervoso


medical animation - markmazaitis.com from mark mazaitis on Vimeo.

Animação muito interessante mostrando o percurso dos impulsos nervosos e o momento em que os neurônios fazem a sinapse... Muito legal...

terça-feira, 29 de julho de 2008

Biologia: Genoma modifica a noção de gene

JOSÉ VAGNER GOMES da Folha de S.Paulo

O seqüenciamento do genoma humano revela uma tendência paradoxal: quanto mais se conhece o código genético, menos sustentável fica a noção de gene, que produz uma proteína responsável por uma característica.Com o conhecimento do genoma, fica claro que um número pequeno de genes (30 mil a 40 mil) seria pouco para determinar tantas proteínas e características, o que reforça que um gene pode dar origem a inúmeras proteínas.Os genes apresentam regiões codificadoras (éxons), que aparecem interrompidos na cadeia de DNA por seqüências não-codificadoras (íntrons). Para que seja transferida para as diversas funções celulares, a informação contida no DNA precisa ser copiada por um RNAm. O RNA só se torna funcional depois que os íntrons são retirados _em um processo conhecido com "splicing".Como um gene pode originar diferentes RNAm? Por meio do "splicing" alternativo. Na síntese de proteínas, o RNAm imaturo copia toda a informação do gene. As enzimas de processamento retiram os íntrons, mantendo apenas os éxons, originando o RNAm maduro.O gene pode sofrer um processamento alternativo, ou seja, formar variadas combinações de éxons e produzir moléculas diferentes de RNAm, cada qual codificando um tipo de proteína.Certos genes ativos em uma célula hepática podem estar desligados em uma célula muscular e vice-versa. Durante o "splicing" do RNA, um éxon que contém a informação para a montagem de uma região de uma proteína pode ser excluído, gerando uma proteína não-funcional. Em outras palavras, o gene é desligado. Como o "splicing" é um processo complexo, a mutação de um nucleotídeo na junção éxon-íntron pode gerar um produto alterado.Estima-se que erros no processo de "splicing" causem 10% das doenças genéticas.

José Vagner Gomes é professor de biologia do Curso e Colégio Objetivo, do Universitário e do Anglo e ministra cursos de bioatualidades

Por favor não incomodem o coitado do Darwin com notícias científicas contrárias a sua preciosa teoria!

Darwin se encontra gravemente enfermo há mais de um século numa UTI no GHNF – Grande Hospital Naturalista Filosófico de Londres. Como Darwin inspira sérios cuidados, o porta-voz da equipe médica leu o seu boletim médico, e emitiu a seguinte nota para a Grande Mídia Internacional [GMI]:

Apesar do tratamento da Nova Síntese ter sido aplicado no século XX numa tentativa ad hoc de recuperá-lo, a saúde epistêmica do nosso venerando paciente Darwin inspira cuidados extremos. Favor não importunar Darwin moribundo com essas notícias de evidências científicas contrárias e devastadoras à sua teoria geral da evolução! Fica terminantemente proibido tecer comentários publicamente sobre o seguinte (especialmente nas escolas):

1. Informação Complexa Especificada.

2. Código Digital ao longo do DNA [se o olho causava calafrios em Darwin, senhores, isso pode matá-lo de apoplexia epistemológica].

3. Um registro fóssil que demonstra o surgimento abrupto de todos os principais filos [isso não é obra dos criacionistas obtusos nem da turma perversa do Design Inteligente, mas do 'registro fóssil' mais do que perfeito].

4. Maquinaria molecular de complexidade irredutível [Darwin e seus pares sequer sabiam o que hoje qualquer aluno do ensino médio sabe realmente sobre uma célula].

5. Um mecanismo natural que não tem poder criativo [é tão-somente conservador – o mais apto sobrevive, sempre!].

6. Como a hipótese do ancestral comum pode ser falseada?

7. A evolução é um FATO, só que nós não sabemos qual foi exatamente o mecanismo [ou os mecanismos – se não for 'x' então é 'y', se não for 'y' então é 'z', se não for 'z' acabou o abc]...

8. A biologia evolutiva depende de uma epistemologia especialmente criada para si: reconstruções históricas de eventos que não podem se repetir e que precisam ser aceitos pela fé (oops, axiomas a priori, pois cada vez mais os evolucionistas estão falando como os criacionistas...).

9. Design Inteligente (argh, isso é assassinar Darwin de vez...).

Enquanto isso no mercado das idéias, Dawkins, Dennett, e outros lépidos garotos-propaganda de Darwin quase órfãos anunciam na Grande Mídia Internacional: "Por favor, aceitem nossas 'notas promissórias epistêmicas', nossos 'cartões de créditos Natura non Facit Saltum', e continuem confiando em Darwin, pois ele tem crédito e aval a longuíssimo prazo do FMI [Fundo Macroevolutivo Inadimplente]..."

Células-Tronco utilizadas no tratamento da dor

A medicina poderá encontrar nas células-tronco fortes aliadas no tratamento da dor, disse ontem o professor Manoel Jacobsen Teixeira, uma das maiores autoridades no mundo em neurocirugia. Ele estava entre os participantes do último dia do 5º Congresso Médico do Rio Grande do Norte, que foi encerrado ontem com a discussão sobre os avanços na área e de temas como doenças sexualmente transmissíveis e a importância da medicina de família, aquela que move os chamados PSFs, no sistema de saúde. Segundo Teixeira, as células-tronco, que têm capacidade de se transformar em outros tecidos do corpo, podem ter a propriedade de também produzir substâncias que inibem a dor ou, ainda, de restaurar a função neurológica que de algum modo foi comprometida pela dor. A expectativa é que as pesquisas nesse campo, que já vêm colecionando avanços no Brasil, ganhem fôlego com a recente liberação de estudos com células embrionárias, até meados do primeiro semestre deste ano proibidas no país. O tratamento com esse tipo de células seria indicado principalmente para a dor causada por lesão do sistema nervoso, que pode ocorrer, por exemplo, por lesão na medula. Seria um novo alento para os paraplégicos. Segundo Teixeira, 30% dos que perderam o movimento da cintura para baixo sentem dores e 10% deles vão precisar de alguma intervenção cirúrgica para o tratamento. ''A medicina avança cada vez mais para acabar com a dor. Vários avanços ocorrem em paralelo'', disse ele, listando, entre os avanços, além das pesquisas com células-tronco, implantes de dispositivos para estimulação elétrica de regiões do cérebro e de bombas que liberam susbstâncias com ação anestésica nos líquidos que banham a medula espinhal ou que estão no interior do cérebro.

Hoje, as principais causas de dor na população são as doenças músculo-esqueléticas, especialmente a dor muscular. Também estão na lista as dores de cabeça, as dores causadas por lesão do sistema nervoso e, por último, as que são causada por outras doenças, a exemplo do câncer. Reduzir as tensões no ambiente de trabalho, fugir do sedentarismo, cuidar da alimentação e fazer check-ups periódicos são caminhos que o especialista aponta como ao alcance de todos para minimizar o sofrimento. Procurar o clínico geral deve ser o primeiro passo para descobrir as causas ou o melhor caminho para o tratamento.

O 5º Congresso Médico e 1º Simpósio de Medicina de Família e Comunidade do Rio Grande do Norte começou no último dia 23 e foi encerrado ontem, com quase 600 participantes de especialidades como pediatria, reumatologia, ortopedia, neurocirurgia e medicina de família. Para o presidente do Congresso, o médico Levi Jales, através do conhecimento de novas pesquias e de trabalhos científicos, os profissionais da área têm condições de prestar assistência mais qualificada à população. O evento ocorre a cada três anos.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Brasil ocupa lugar de destaque em pesquisa genética.

Em pouco mais de dois anos, o Brasil saiu da pré-história da pesquisa genética para tornar-se o primeiro país do Hemisfério Sul a contribuir com o Projeto Genoma Humano (HGP). Graças à iniciativa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), o País conseguiu, em tempo recorde, não apenas dominar as principais estratégias de seqüenciamento do DNA disponíveis no mundo, como ainda produzindo informações totalmente novas para o banco de dados do HGP.

Mais: a estratégia Orestes (abordagem desenvolvida no Brasil) deve tornar-se vital para o próximo passo do Projeto Genoma - a identificação dos genes.

Eles representam apenas cerca de 3% dos 3 bilhões de "letras químicas" que formam nosso DNA, mas são a única parcela que contém a receita para a síntese das proteínas, constitutivas do organismo e responsáveis pelos processos metabólicos.

Em apenas sete meses, os brasileiros já identificaram mais de cem novos genes no cromossomo 22, o primeiro a ser totalmente seqüenciado pelo HGP.

Isso significa quase um quinto dos genes identificados no cromossomo por todos os outros cientistas do mundo.

O Brasil foi também o primeiro país do Hemisfério Sul a seqüenciar integralmente um ser vivo, a bactéria Xylella fastidiosa, o único organismo causador de uma praga agrícola já seqüenciado no mundo. A qualidade do trabalho foi reconhecida internacionalmente e, pouco depois, Estados Unidos e Austrália pediram a colaboração brasileira para seqüenciar bactérias semelhantes.

Xylella - Tudo começou com o Projeto Genoma Xylella, anunciado em outubro de 1997 e iniciado em maio de 1998 por 35 laboratórios do Estado de São Paulo, articulados, sob a batuta da Fapesp, numa rede virtual chamada Onsa (Organization for Nucleotide Sequencies and Analysis) - uma alusão à Tigr, empresa anterior de Craig Venter, presidente da Celera Genomics. O trabalho foi concluído em fevereiro, seis meses antes do prazo.

O sucesso da experiência animou a Fapesp a lançar, em 1999, mais três projetos de seqüenciamento genético: o da xanchomonas, bactéria que afeta os cítricos, o da cana-de-açúcar e, em parceria com o Instituto Ludwig, o Projeto Genoma Câncer, que pretende identificar e seqüenciar os genes responsáveis pelos tipos de câncer mais comuns no Brasil.

Interpretação - A estratégia de trabalho do Genoma Câncer, diferente das anteriores, permite seqüenciar apenas os genes, única parte do DNA que contém a informação para a síntese de proteínas. Isso ocorre porque o seqüenciamento é feito não a partir do DNA, e sim do RNA (ácido ribonucléico) mensageiro, que expressa apenas a parte do genoma que contém os genes. Com isso, o projeto obtém informação essencial para os cientistas do Projeto Genoma Humano interpretarem os dados que estão produzindo.

Dirigido por Andrew Simpson, do Instituto Ludwig, o Projeto Genoma Câncer já depositou mais de 400 mil seqüências de genes no banco de dados do HGP. Com o ganho de velocidade da pesquisa brasileira, prevê-se que até o fim do ano esse número atinja 1 milhão de seqüências, equivalente à quantidade já decodificada pelo National Cancer Institute americano.

Mas o Projeto Genoma brasileiro não pára aí. O Brasil também está investindo pesado para desvendar as funções de cada gene e pesquisar a estrutura das proteínas tridimensionais que cada um deles codifica, duas áreas de ponta da pesquisa genética mundial.

Por outro lado, a Fapesp anunciou na semana retrasada que investirá cerca de R$ 4 milhões no Projeto Genoma Estrutural, dedicado a estudar como as informações genéticas determinam a forma tridimencional das proteínas. Isso é essencial porque toda a construção dos seres vivos e seu funcionamento metabólico são determinados pelas proteínas e seus "encaixes" com outras moléculas. Por último, o Brasil tem feito grandes avanços na bioinformática, área fundamental para processar a colossal massa de informações que as pesquisas estão produzindo.

Do que se trata a Biomedicina?

O curso superior de Biomedicina foi criado com o objetivo de formar profissionais para atuar no desenvolvimento da saúde humana e no saneamento do meio ambiente. O profissional formado em Biomedicina está apto a realizar estudos e pesquisas clínicas, envolvendo as análises clínicas, genética e biologia molecular de fluidos e tecidos humanos. No Brasil, os biomédicos dedicam-se principalmente às análises clínicas (exames laboratoriais), no entanto, muitos desses profissionais atuam como cientistas em centros de pesquisas (Fiocruz, Instituto Butantan, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN), Laboratório Nacional de Luz Síncrotron etc.) e universidades na busca da cura, do diagnóstico, do tratamento e da prevenção de doenças (desenvolvendo vacinas) e novos medicamentos, bem como atuando na pesquisa de DNA.

Dentre as atividades mais comuns, está o ensino universitário em disciplinas biomédicas, tais como Biofísica, Bioquímica, Genética, Histologia, Embriologia, Fisiologia, Farmacologia, Patologia, Imunologia, Microbiologia, Parasitologia etc. O trabalho nas indústrias biotecnológicas envolve a manipulação de enzimas, microrganismos e células, na produção de produtos biologicamente ativos, tais como enzimas, hormônios (insulina por exemplo), antibióticos, vitaminas, vacinas, soros, além de reagentes laboratoriais.

Os biomédicos também realizam testes para averiguação bioquímica e de microrganismos presentes nos alimentos. Na Reprodução Humana, realizam, entre outras atividades, o aconselhamento genético e a seleção de embriões que serão implantados na futura mãe. Nas análises ambientais, realizam análises físico-químicas, microbiológicas e parasitológicas de interesse para o saneamento do meio ambiente, incluídas as análises de água, ar e esgoto.