sábado, 22 de novembro de 2008

Por dentro dos novos tratamentos com células-tronco - Parte 6

Cérebro

Uma das grandes promessas das células-tronco é a possibilidade de criar novos neurônios para combater doenças como os males de Alzheimer e Parkinson, ou de evitar a morte de neurônios nos casos de acidente vascular cerebral (AVC). Os cientistas estão longe de conseguir algo concreto. Mas dão os primeiros passos. A segurança do tratamento com células-tronco adultas, quando implantadas no cérebro de pacientes que acabaram de sofrer um AVC, está sendo testada por pesquisadores de quatro instituições brasileiras.

Durante o AVC, ocorre uma hemorragia ou o bloqueio de uma artéria do cérebro. Aquela região fica sem irrigação sanguínea, e os neurônios morrem. No caso desse estudo, apenas pacientes que não tiveram hemorragia podem participar. Células-tronco da medula óssea do próprio paciente são injetadas na artéria femoral por um cateter que as leva até a artéria do cérebro.

A pesquisa, que incluirá 50 pacientes, deverá acabar até o fim do ano. Até agora, 30 já receberam o implante. “Alguns pacientes passaram pelo tratamento há dois anos e não tiveram nenhuma complicação. É sinal de que a técnica não oferece riscos”, afirma a neurocientista Rosália Mendez-Otero, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, coordenadora do projeto. Entre os riscos estudados está a possibilidade de as células-tronco entupirem outros vasos ou de serem consideradas células estranhas, o que poderia causar um ataque epilético.

A equipe de Rosália observou – por meio de marcadores químicos nas células – que elas haviam passado dos vasos sanguíneos para a parte do cérebro que ficou sem oxigênio. “Acreditamos que as células de medula liberam substâncias que impedem a morte dos neurônios que estão ‘doentes’ por causa da falta de oxigênio”, diz Rosália. As células-tronco parecem liberar substâncias que impedem a ocorrência de reações químicas que levam os neurônios à morte. “Elas funcionam como uma fabriqueta biológica que produz remédio para os neurônios doentes”, afirma.

Pesquisadores do Rio Grande do Sul já encerraram a primeira fase desse mesmo projeto. Vinte pacientes participaram do estudo. Segundo o neurologista Jaderson da Costa, diretor do Instituto de Pesquisas Biomédicas da PUC-RS, seis dos pacientes se recuperaram totalmente em três meses – readquiriram movimentos e a fala, nos casos em que ela havia sido afetada.

Outros oito não recuperaram totalmente os movimentos, mas melhoraram a ponto de não depender de outras pessoas para realizar atividades do dia-a-dia. “Nesse tipo de AVC, 75% dos pacientes apresentam seqüelas graves ou morrem em três meses. No estudo, 70% se recuperaram no primeiro semestre. Se temos um resultado inverso ao que as estatísticas apontam, isso mostra que o procedimento deu certo”, afirma. Para comprovar a eficácia, ainda é preciso fazer um novo estudo, que deverá começar no segundo semestre. Cem pacientes serão acompanhados por várias instituições e haverá um grupo controle, para comparação, que não receberá o tratamento.

Ainda não há certeza do que ocorreu com as células-tronco no cérebro dos pacientes. Exames de ressonância magnética mostraram uma maior ativação das áreas do cérebro afetadas pelo AVC. Segundo o neurologista Maurício Friedrich, houve um aumento na rede de artérias que irrigam essas áreas. Possivelmente em razão do estímulo provocado pelas substâncias liberadas pelas células-tronco. E não pela transformação delas em células do cérebro.

Essas questões ainda estão em aberto, mas voluntários como o funcionário público Agilberto Domingos Carpeneto, de 50 anos, estão ajudando a respondê-las. Ele sofreu um AVC no fim de 2005 e foi submetido ao implante. Saiu do hospital sem movimentar nem sentir o lado esquerdo do corpo. Começou a fazer fisioterapia. Foram oito meses de sessões diárias de uma hora. Aos poucos, começou a recuperar a capacidade de realizar tarefas corriqueiras, como amarrar o cadarço dos sapatos.

Seis meses depois de sofrer o derrame e de as células-tronco terem sido injetadas, o gaúcho teve uma grande vitória: foi dirigindo para o trabalho. Nunca imaginou que aqueles 8 quilômetros pudessem ser tão saborosos. Hoje, quase dois anos depois do procedimento, Carpeneto ainda tem dificuldades para movimentar os dedos da mão esquerda. “A agilidade da mão esquerda para digitar no computador é bem menor que a da direita”, diz Carpeneto. Ele também nota uma pequena dificuldade para caminhar, arrasta um pouco a perna esquerda. Mas isso não o impede de caminhar 6 quilômetros, três vezes por semana. Algo impensável há seis meses. Se sua recuperação é extraordinária, Carpeneto não sabe. “Nunca tinha tido um derrame antes, graças a Deus. Como vou comparar?”, afirma. Se fosse preciso, diz que faria tudo novamente.

As limitações da técnica:
- Só podem participar pacientes que não sofreram AVC do tipo hemorrágico.
- O implante tem de ser feito até uma semana depois do AVC.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Por dentro dos novos tratamentos com células-tronco - Parte 5

Coração

O MAIOR ESTUDO com células-tronco adultas já realizado no mundo é brasileiro. O trabalho, financiado pelo Ministério da Saúde, envolve 1.200 pacientes de quatro tipos de problemas cardíacos. O estudo deverá acabar em 2008. “Se for comprovada a eficácia da técnica, ela poderá ser oferecida pelo Sistema Único de Saúde”, diz Antonio Carlos Campos de Carvalho, coordenador do trabalho. Com a adoção do método, o Ministério da Saúde espera economizar R$ 600 milhões por ano com transplantes, internações e cirurgias.
Metade dos pacientes recebeu a injeção de células-tronco retiradas da própria medula óssea. A outra metade recebeu uma solução sem fim terapêutico (placebo). Nem os médicos nem os pacientes sabem quem pertence a cada grupo. O objetivo é comprovar os resultados obtidos em estudos anteriores, como o conduzido pelo pesquisador Ricardo Ribeiro dos Santos, da Fiocruz, em Salvador.


1. Cérebro - A maioria das células-tronco neuronais é encontrada no cérebro. Elas também existem na medula espinhal


2. Pulmão - Os cientistas acreditam que existam diferentes populações de células-tronco nos pulmões. A identidade de algumas delas é controversa

3. Coração - Raras células-tronco cardíacas foram descobertas perto do átrio, a câmara superior do coração

4. Fígado - Células-tronco hepáticas substituem células velhas e se multiplicam rapidamente quando o órgão é danificado

5. Intestino - Células-tronco produzem milhares de novas células intestinais a cada dia. Elas substituem células danificadas durante o processo de digestão

6. Medula óssea - Aqui ficam as células-tronco mais potentes, capazes de se transformar em vários tecidos. Elas são produzidas dentro dos ossos e viajam pelo organismo através do sistema circulatório. Os cientistas brasileiros estão testando terapias baseadas nessas células em pacientes de: Doença de Chagas,Cirrose hepática, Diabetes, Insuficiência cardíaca, Necrose óssea, Derrame, Esclerose múltipla

7.Músculos - Traumas e lesões provocados pelo excesso de exercício induzem as células-tronco a regenerar os músculos.

Nesse estudo, de 2003, 30 pacientes que sofriam de insuficiência cardíaca provocada pela doença de Chagas receberam injeção de células-tronco retiradas da própria medula. As células foram injetadas na artéria femoral por meio de um cateter e seguiram até as artérias coronárias.
Segundo Santos, a qualidade de vida dos pacientes melhorou. A falta de ar diminuiu, e eles puderam retomar suas atividades normais. Novamente, os cientistas estão no escuro. Não têm certeza sobre como as células-tronco agem no coração. As hipóteses levantadas até agora são baseadas em estudos com animais. “O efeito mais importante das células da medula no coração foi secretar enzimas que digerem a cicatriz causada pela doença de Chagas”, diz Santos. Com uma cicatriz menor, o coração é capaz de contrair de maneira mais eficiente e de bombear sangue para o corpo.
As células-tronco também parecem fazer diferença em pessoas que acabaram de sofrer infarto. O cardiologista Hans Fernando Dohmann, diretor-científico do Hospital Pró-Cardíaco, no Rio de Janeiro, coordena uma pesquisa com 300 pacientes. Metade recebe o tratamento convencional, conhecido como angioplastia. A outra metade recebe o mesmo tratamento e também o implante de células-tronco. Os pesquisadores querem confirmar os bons resultados de um estudo anterior, realizado com 50 voluntários. “Depois de seis meses, os pacientes que receberam as células-tronco tiveram a capacidade de contração do coração aumentada em 6% em relação aos pacientes que receberam tratamento convencional”, diz Dohmann.
Parece pouco, mas na prática pode fazer diferença. Pelo menos é o que conta a supervisora comercial Nádia Neves de Lima, de 49 anos. Ela sofreu um infarto em 2005, apesar de ter uma dieta saudável e de fazer exercícios. Para os médicos, o problema pode ter sido causado por estresse (ela trabalhava demais), herança genética (o pai morreu de infarto) e por um péssimo hábito (Nádia fumava dez cigarros por dia havia 20 anos). Levada rapidamente pelo filho ao hospital, recebeu implante de dois stents – uma prótese metálica para manter a artéria desobstruída – no coração. Alguns dias depois, foi convidada a participar do estudo. Células-tronco de sua medula foram aplicadas no coração, por meio de um cateterismo.
Hoje, ela diz que se sente muito bem. Não tem certeza se as células-tronco foram benéficas. Mas acha que sim. “Talvez o implante tenha reduzido as chances de um novo infarto”, diz. Segundo o cardiologista Dohmann, é possível que isso aconteça, mas não há dados científicos que comprovem essa hipótese. Apesar de ter recebido o implante, Nádia não se livrou dos remédios. São cinco ao todo: vasodilatadores, anticoagulantes e medicamentos para combater colesterol. Ela passou a controlar ainda mais sua dieta. Mas a mudança mais radical – e talvez mais benéfica – foi ter abandonado o cigarro.

As limitações da técnica:
- Não se sabe como pacientes em estágios iniciais de doença de Chagas reagiriam ao tratamento.
- No caso de infarto, a técnica não serve para pacientes que precisaram usar respirador para manter o funcionamento do coração.


Por dentro dos novos tratamentos com células-tronco - Parte 4

Pâncreas

O diabetes tipo 1 ocorre quando as células de defesa do organismo reconhecem o pâncreas como inimigo e passam a atacá-lo. O órgão produz insulina, o hormônio que faz com que o corpo use o açúcar que comemos para gerar energia. Ao ser atacado, o pâncreas passa a produzir o hormônio de forma insuficiente. É preciso tomar injeções de insulina diariamente e controlar a quantidade de açúcar ingerido.

A doença costuma aparecer em crianças, adolescentes e adultos jovens. O auxiliar de enfermagem André Luis dos Santos Ricardo descobriu o problema aos 27 anos. O que mais o assustava era a possibilidade de enfrentar complicações decorrentes da doença. “Quem sofre de diabetes costuma ter perda de visão, problemas renais e de cicatrização em algum momento”, diz.

André trabalha no Hospital de Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto. Soube da pesquisa do imunologista Júlio Voltarelli e decidiu participar, mesmo sabendo que a experiência envolvia sérios riscos. Ele poderia sofrer graves infecções por causa da quimioterapia, necessária para matar as células de defesa do organismo que atacavam o pâncreas. André corria o risco de ficar estéril – também por causa da quimioterapia – e precisou congelar esperma.

Mesmo assim, decidiu apostar. André recebeu o implante de células-tronco por meio de um cateter ligado ao coração. Ele bombeia as novas células para gânglios linfáticos, componentes do sistema imune onde estão as células de defesa do organismo. Há três anos ele está livre das aplicações diárias de insulina. Não sabe se está curado. Nem os médicos sabem se o efeito será duradouro. “O que importa é que o medo de pensar nas conseqüências da doença desapareceu”, diz. André ainda controla a alimentação. Mas se autoriza alguns prazeres: em vez de apenas experimentar a musse de maracujá, seu doce preferido, agora come boas colheradas.

Catorze dos 15 voluntários da pesquisa livraram-se das injeções diárias de insulina. “O efeito das células ainda está sendo estudado”, diz Voltarelli. “Há evidências de que elas tenham se transformado em dois tipos de células de defesa do organismo, os linfócitos T e B, e reconstituído um novo sistema imune. É como se o organismo tivesse voltado ao tempo em que as células de defesa não atacavam o pâncreas.”

Os pesquisadores também observaram um aumento na produção de insulina nos pacientes que receberam as células-tronco. “Não só o sistema imune deixou de atacar o pâncreas, como algumas células do órgão também aumentaram a produção de insulina. Por isso, pode ter havido uma regeneração”, diz Voltarelli.

É cedo para falar em cura. O estudo, publicado em abril na prestigiada revista da Associação Médica Americana (Jama), recebeu críticas de especialistas internacionais. Foi levantada a hipótese de que a melhora observada seria resultado do “efeito lua-de-mel”, período em que pacientes recém-diagnosticados com diabetes tipo 1 conseguem ficar sem tomar insulina.

Para Voltarelli, as críticas em relação à possível precipitação de pesquisadores brasileiros em procedimentos com células-tronco devem-se à “dor-de-cotovelo” de especialistas de outros países. “Cientistas estrangeiros dizem que nosso conselho de ética em pesquisa é mais frouxo. Mas tenho colegas nos Estados Unidos que conseguiram aprovação para estudar a aplicação de células-tronco em pacientes com autismo. No Brasil, não consigo autorização nem para estudos com artrite”, afirma.

As limitações da técnica:
- Serve apenas para estágios iniciais da doença, em geral quando o diagnóstico foi feito há menos de seis semanas.
- Não se sabe se o paciente ficará livre para sempre das injeções de insulina. Dois pacientes voltaram a tomar o hormônio.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Por dentro dos novos tratamentos com células-tronco - Parte 3

Ossos

A anemia falciforme, doença provocada por uma deformação das células que transportam o oxigênio pelo sangue (as hemácias), é uma doença devastadora. O paciente costuma sofrer lesões nos nervos, nos olhos, na pele e principalmente nos ossos. Um dos efeitos mais corriqueiros é o apodrecimento (necrose) da cabeça do fêmur, parte que se liga ao quadril. Surgem dores intensas. Os médicos implantam uma prótese metálica, mas o método só dá certo quando não houve a perda completa do osso. Muitos pacientes vão parar na cadeira de rodas aos 20 e poucos anos.
Cerca de 7% dos brasileiros sofrem do problema, mais comum na população negra. Em Salvador, a incidência da doença chega a 15%. Para tentar oferecer alguma esperança aos pacientes, o ortopedista Gildásio Daltro, da Universidade Federal da Bahia, decidiu testar o potencial das células-tronco. Elas são extraídas do osso da bacia e separadas em laboratório do restante das células sanguíneas. Esse concentrado é injetado no local da lesão.
Os primeiros 15 pacientes passaram pela experiência há um ano. A maioria mancava e usava muletas. Gildásio diz ter notado melhora na condição deles. “Houve redução da dor e aumento de mobilidade em 90% deles, mas não sabemos se as células realmente viraram osso”, afirma.
A dona de casa Ana Cristina Souza, de 37 anos, faz parte dessa estatística. Graças à liberdade de movimentos conquistada, Ana já pode chegar de surpresa à escola do filho Thierre, de 6 anos. Ele não sabe direito o que são células-tronco, mas repete para todo mundo: “Minha mãe ficou boa e hoje veio me buscar”. As ladeiras do Pelourinho já não são páreo para Ana. Agora, ela consegue vencê-las. É uma grande virada para quem sofre da doença desde 1 ano de idade e passou a infância sem poder brincar. Ana está tirando o atraso. “Ainda não consigo chutar bola com Thierre. Mas dá para jogar com as mãos”, diz.
As limitações da técnica: - A lesão tem de estar na fase inicial, sem comprometimento da cartilagem. - O paciente não pode ter infecções.

sábado, 2 de agosto de 2008

Por dentro dos novos tratamentos com células-tronco - Parte 2

Esclerose múltipla

Cassio de Oliveira, de 34 anos, é o protótipo do jovem descolado. Brinco na orelha esquerda, jaqueta desbotada, jeans e tênis. Em nada lembra um doente enquanto fuma uma cigarilha e conta sua história. Uma história pesada. Há cinco anos, voltava de uma pelada com os amigos quando sentiu a perna esquerda adormecer. Nas semanas seguintes, começou a perder força, enxergar tudo dobrado, tremer a ponto de não conseguir segurar uma xícara de café. Em seis meses, veio o diagnóstico: esclerose múltipla.

A doença sem causa estabelecida provoca a degeneração progressiva dos nervos, atacados pelo próprio sistema imune do doente. Em pouco tempo, Cassio não tinha forças para ir até a padaria da esquina. O tratamento não fazia efeito. Ele começou a usar muletas. Estava pesquisando preços de cadeira de rodas quando soube de um estudo com células-tronco realizado pelo médico Nelson Hamerschlak, do Hospital Albert Eisntein, em São Paulo, em parceria com Júlio Voltarelli, da Universidade de São Paulo, em Ribeirão Preto.

O processo não é simples. Cassio teve de fazer quimioterapia para matar as células da medula óssea. Com o sistema imune "desligado", recebeu um soro para apagar a "memória" celular que marcava o tecido nervoso dele mesmo como um alvo a ser atacado pelo sistema de defesa do organismo. Depois, recebeu na veia injeções de células-tronco retiradas previamente de seu sangue. Eram células-tronco da medula óssea, induzidas a migrar em grande quantidade para o sangue. Durante todo o processo, perdeu 35 quilos. Um ano depois, a evolução de Cassio é surpreendente. A doença regrediu, e ele voltou a ter vida quase normal. Dirige, pega metrô e tem a felicidade de acordar e comprar pão na padaria sem depender de ajuda.

Nem todos tiveram a mesma sorte. Dos 41 submetidos à terapia, três morreram. Os médicos acreditam que a quimioterapia dada no início do estudo, em 1999, era muito forte. Com a mudança das drogas, não houve mais mortes. Na maioria dos voluntários, a doença estacionou. Mas não regrediu, como no caso de Cassio e de outro paciente. O que fez a diferença? Para Cassio, o otimismo pode ter conspirado a seu favor. "Acreditar na recuperação fez diferença. Existe tanta generosidade no mundo e a gente só percebe quando passa por uma situação dessas", diz. "Todos acreditaram na minha recuperação, e isso ajudou muito." A ciência não explica tamanha recuperação. "Sabemos que inibimos o sistema imune. Mas não sabemos se reconstituímos nervos", diz Hamerschlak. "Se a célula-tronco da medula migrou para os nervos, é possível que isso possa explicar a regressão da doença."

As limitações da técnica:
- Não serve para os casos de doença avançada, quando o paciente já está em cadeira de rodas.
- Ainda não se sabe qual é a dose ideal de quimioterapia.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Por dentro dos novos tratamentos com células-tronco - Parte 1

"Elas estão mudando a vida dos primeiros brasileiros tratados. Mas os efeitos observados desafiam os cientistas. Serão duradouros?"

Células-tronco, segundo a definição científica, são aquelas que têm o potencial de se transformar em diferentes tecidos do corpo humano. No imaginário popular, elas são muito mais que isso. São sementes mágicas capazes de regenerar corações combalidos, reverter os sinais implacáveis da passagem do tempo, construir órgãos inteiros sob encomenda. Para os primeiros pacientes tratados em experiências realizadas no Brasil, as novas pesquisas são a materialização de uma segunda chance de vida.

Na maioria dos casos, essas pessoas não tinham outro recurso terapêutico. Sofriam de doenças graves, enfrentaram inúmeros tratamentos sem sucesso, tinham perdido a capacidade de planejar o futuro. Até que descobriram cientistas que estão tentando entender como funcionam as células-tronco. Decidiram apostar, embora os estudos envolvam riscos conhecidos e desconhecidos. Muitos pacientes voltaram à vida normal e recuperaram a esperança. Nem todos tiveram a mesma sorte.

Desde que a imprensa começou a dar grande destaque às experiências com células-tronco, o público tem interpretado potencialidades como fatos concretos, inegáveis, ao alcance da mão. É por isso que, a cada reportagem sobre experiências em humanos desenvolvidas no Brasil, o e-mail e o telefone dos pesquisadores ficam congestionados. Os pacientes têm pressa. Oferecem-se como cobaias dizendo que não têm nada a perder. E sempre há o que perder. Na melhor das hipóteses, perde-se tempo. Na pior delas, vida.

É compreensível que pessoas desesperadas vasculhem a internet em busca de experiências e aceitem correr riscos. Mas a pesquisa com células-tronco ainda está em sua infância. Há mais dúvidas que certezas. Por enquanto, os únicos estudos clínicos disponíveis no Brasil e no exterior são realizados com células-tronco adultas, aquelas que são extraídas da medula óssea ou do sangue do próprio paciente. A razão: a experiência com transplantes de medula para tratamento de leucemia, realizados com sucesso desde os anos 60, dá aos médicos alguma segurança para desbravar essa área.

Na maioria dos casos, o sucesso relatado pelos pesquisadores ainda é relativo. Embora as terapias em teste não beneficiem todos os pacientes, a recuperação de alguns indivíduos surpreende. Raramente os cientistas conseguem explicar as razões do sucesso. Nem podem garantir que os resultados positivos sejam duradouros. Os pesquisadores ainda não sabem domar as células para que virem o tecido desejado. O máximo que têm feito é depositá-las na região lesada e torcer para que se transformem nas células necessárias.
Diante de tantas dúvidas, há um embate entre os cientistas de laboratório – mais interessados em pesquisa básica – e os médicos, que vivem diariamente o drama da falta de opção dos pacientes e têm pressa em testar terapias. Pesquisadores como Amy Wagers, da Universidade Harvard, acreditam que os médicos estão se precipitando ao sair aplicando células-tronco em pacientes. Acham que o mecanismo de ação permanecerá desconhecido enquanto os médicos continuarem injetando nos voluntários diferentes populações de células da medula. É como se uma informação fundamental ficasse trancada numa caixa-preta.

Clínicos como o cardiologista Joshua Hare, da Johns Hopkins University, discordam. "Não vamos compreender completamente os mecanismos se não pudermos testar as terapias em pacientes", diz. No Brasil, muitos médicos seguem o raciocínio de Hare. Por isso, o país é o que tem maior número de pacientes inscritos em testes de terapias com células-tronco. "O mecanismo de ação da aspirina só foi descoberto depois de décadas de utilização do remédio", diz o fisiologista Luiz Eugenio Mello, pró-reitor de graduação da Universidade Federal de São Paulo. "Às vezes, entender que uma estratégia funciona vem antes de entender como ela funciona."

Nas próximas páginas, ÉPOCA relata os resultados das mais recentes pesquisas em andamento no Brasil. Para os cientistas, as evidências de sucesso ainda precisam ser confirmadas por estudos mais amplos. Para os pacientes, no entanto, elas são sinais inegáveis de que a vida pode ser reinventada.

Retirado da Revista ÉPOCA, edição 475

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Homem ou Primata?

















Para o geneticista Wen-Hsiung Li, nascido em Taiwan e radicado na Universidade de Chicago, entender a evolução humana pode reduzir o preconceito entre as pessoas. Ele acredita que agora temos um conhecimento bastante bom do assunto, mas restam grandes mistérios.

Essas foram as conclusões finais da palestra deste fim de semana. Para ajudar nessa compreensão de como chegamos a ser o que somos, ele mostrou estudos - dele e de outros - que mostraram que humanos são muito parecidos com os outros grandes primatas - chimpanzés, bonobos, gorilas e orangotangos. Um desses estudos, publicado em 2001, analisou trechos do DNA dos grandes primatas e encontrou, em média, 1,2% de diferenças entre as seqüências de humanos e de chimpanzés.

Boa parte da diferença não está, portanto, na seqüência genética. Está na regulação dos genes: quando genes são ligados ou desligados? Onde no organismo? Com que intensidade funcionam? É essa regulação, diz ele, que afeta o desenvolvimento embrionário, a fisiologia e a saúde. E que nos torna diferentes de chimpanzés.

A linguagem é uma dessas diferenças. Pois existe um gene - segundo ele o único até agora detectado que influencia especificamente a fala e o desenvolvimento da linguagem - que sofreu mais mutações ao longo da evolução humana do que se esperaria comparado ao resto do material genético. É o FOXP2. Será que a seleção natural favoreceu os falantes? Fica a pergunta.

Outro exemplo que Li apresentou foi cor de pele. Alguns genes regulatórios afetam coloração tanto de peixes como de humanos. Como essas características se alteram ao longo do tempo? Ele não entrou em muitos detalhes, mas diz que certas variantes dos genes foram selecionadas durante a evolução recente.

Faltou aprofundar-se mais, fica a curiosidade. De todo jeito, este é um resuminho rápido. Na edição de agosto da revista de Pesquisa Fapesp sairá um relato mais detalhado, que estará também aqui. E aqui deverá entrar um outro resuminho, junto com uma amostra de vídeo da palestra.

Texto retirado do Blog "Ciência Idéas"

A visualização do impulso nervoso


medical animation - markmazaitis.com from mark mazaitis on Vimeo.

Animação muito interessante mostrando o percurso dos impulsos nervosos e o momento em que os neurônios fazem a sinapse... Muito legal...

terça-feira, 29 de julho de 2008

Biologia: Genoma modifica a noção de gene

JOSÉ VAGNER GOMES da Folha de S.Paulo

O seqüenciamento do genoma humano revela uma tendência paradoxal: quanto mais se conhece o código genético, menos sustentável fica a noção de gene, que produz uma proteína responsável por uma característica.Com o conhecimento do genoma, fica claro que um número pequeno de genes (30 mil a 40 mil) seria pouco para determinar tantas proteínas e características, o que reforça que um gene pode dar origem a inúmeras proteínas.Os genes apresentam regiões codificadoras (éxons), que aparecem interrompidos na cadeia de DNA por seqüências não-codificadoras (íntrons). Para que seja transferida para as diversas funções celulares, a informação contida no DNA precisa ser copiada por um RNAm. O RNA só se torna funcional depois que os íntrons são retirados _em um processo conhecido com "splicing".Como um gene pode originar diferentes RNAm? Por meio do "splicing" alternativo. Na síntese de proteínas, o RNAm imaturo copia toda a informação do gene. As enzimas de processamento retiram os íntrons, mantendo apenas os éxons, originando o RNAm maduro.O gene pode sofrer um processamento alternativo, ou seja, formar variadas combinações de éxons e produzir moléculas diferentes de RNAm, cada qual codificando um tipo de proteína.Certos genes ativos em uma célula hepática podem estar desligados em uma célula muscular e vice-versa. Durante o "splicing" do RNA, um éxon que contém a informação para a montagem de uma região de uma proteína pode ser excluído, gerando uma proteína não-funcional. Em outras palavras, o gene é desligado. Como o "splicing" é um processo complexo, a mutação de um nucleotídeo na junção éxon-íntron pode gerar um produto alterado.Estima-se que erros no processo de "splicing" causem 10% das doenças genéticas.

José Vagner Gomes é professor de biologia do Curso e Colégio Objetivo, do Universitário e do Anglo e ministra cursos de bioatualidades

Por favor não incomodem o coitado do Darwin com notícias científicas contrárias a sua preciosa teoria!

Darwin se encontra gravemente enfermo há mais de um século numa UTI no GHNF – Grande Hospital Naturalista Filosófico de Londres. Como Darwin inspira sérios cuidados, o porta-voz da equipe médica leu o seu boletim médico, e emitiu a seguinte nota para a Grande Mídia Internacional [GMI]:

Apesar do tratamento da Nova Síntese ter sido aplicado no século XX numa tentativa ad hoc de recuperá-lo, a saúde epistêmica do nosso venerando paciente Darwin inspira cuidados extremos. Favor não importunar Darwin moribundo com essas notícias de evidências científicas contrárias e devastadoras à sua teoria geral da evolução! Fica terminantemente proibido tecer comentários publicamente sobre o seguinte (especialmente nas escolas):

1. Informação Complexa Especificada.

2. Código Digital ao longo do DNA [se o olho causava calafrios em Darwin, senhores, isso pode matá-lo de apoplexia epistemológica].

3. Um registro fóssil que demonstra o surgimento abrupto de todos os principais filos [isso não é obra dos criacionistas obtusos nem da turma perversa do Design Inteligente, mas do 'registro fóssil' mais do que perfeito].

4. Maquinaria molecular de complexidade irredutível [Darwin e seus pares sequer sabiam o que hoje qualquer aluno do ensino médio sabe realmente sobre uma célula].

5. Um mecanismo natural que não tem poder criativo [é tão-somente conservador – o mais apto sobrevive, sempre!].

6. Como a hipótese do ancestral comum pode ser falseada?

7. A evolução é um FATO, só que nós não sabemos qual foi exatamente o mecanismo [ou os mecanismos – se não for 'x' então é 'y', se não for 'y' então é 'z', se não for 'z' acabou o abc]...

8. A biologia evolutiva depende de uma epistemologia especialmente criada para si: reconstruções históricas de eventos que não podem se repetir e que precisam ser aceitos pela fé (oops, axiomas a priori, pois cada vez mais os evolucionistas estão falando como os criacionistas...).

9. Design Inteligente (argh, isso é assassinar Darwin de vez...).

Enquanto isso no mercado das idéias, Dawkins, Dennett, e outros lépidos garotos-propaganda de Darwin quase órfãos anunciam na Grande Mídia Internacional: "Por favor, aceitem nossas 'notas promissórias epistêmicas', nossos 'cartões de créditos Natura non Facit Saltum', e continuem confiando em Darwin, pois ele tem crédito e aval a longuíssimo prazo do FMI [Fundo Macroevolutivo Inadimplente]..."

Células-Tronco utilizadas no tratamento da dor

A medicina poderá encontrar nas células-tronco fortes aliadas no tratamento da dor, disse ontem o professor Manoel Jacobsen Teixeira, uma das maiores autoridades no mundo em neurocirugia. Ele estava entre os participantes do último dia do 5º Congresso Médico do Rio Grande do Norte, que foi encerrado ontem com a discussão sobre os avanços na área e de temas como doenças sexualmente transmissíveis e a importância da medicina de família, aquela que move os chamados PSFs, no sistema de saúde. Segundo Teixeira, as células-tronco, que têm capacidade de se transformar em outros tecidos do corpo, podem ter a propriedade de também produzir substâncias que inibem a dor ou, ainda, de restaurar a função neurológica que de algum modo foi comprometida pela dor. A expectativa é que as pesquisas nesse campo, que já vêm colecionando avanços no Brasil, ganhem fôlego com a recente liberação de estudos com células embrionárias, até meados do primeiro semestre deste ano proibidas no país. O tratamento com esse tipo de células seria indicado principalmente para a dor causada por lesão do sistema nervoso, que pode ocorrer, por exemplo, por lesão na medula. Seria um novo alento para os paraplégicos. Segundo Teixeira, 30% dos que perderam o movimento da cintura para baixo sentem dores e 10% deles vão precisar de alguma intervenção cirúrgica para o tratamento. ''A medicina avança cada vez mais para acabar com a dor. Vários avanços ocorrem em paralelo'', disse ele, listando, entre os avanços, além das pesquisas com células-tronco, implantes de dispositivos para estimulação elétrica de regiões do cérebro e de bombas que liberam susbstâncias com ação anestésica nos líquidos que banham a medula espinhal ou que estão no interior do cérebro.

Hoje, as principais causas de dor na população são as doenças músculo-esqueléticas, especialmente a dor muscular. Também estão na lista as dores de cabeça, as dores causadas por lesão do sistema nervoso e, por último, as que são causada por outras doenças, a exemplo do câncer. Reduzir as tensões no ambiente de trabalho, fugir do sedentarismo, cuidar da alimentação e fazer check-ups periódicos são caminhos que o especialista aponta como ao alcance de todos para minimizar o sofrimento. Procurar o clínico geral deve ser o primeiro passo para descobrir as causas ou o melhor caminho para o tratamento.

O 5º Congresso Médico e 1º Simpósio de Medicina de Família e Comunidade do Rio Grande do Norte começou no último dia 23 e foi encerrado ontem, com quase 600 participantes de especialidades como pediatria, reumatologia, ortopedia, neurocirurgia e medicina de família. Para o presidente do Congresso, o médico Levi Jales, através do conhecimento de novas pesquias e de trabalhos científicos, os profissionais da área têm condições de prestar assistência mais qualificada à população. O evento ocorre a cada três anos.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Brasil ocupa lugar de destaque em pesquisa genética.

Em pouco mais de dois anos, o Brasil saiu da pré-história da pesquisa genética para tornar-se o primeiro país do Hemisfério Sul a contribuir com o Projeto Genoma Humano (HGP). Graças à iniciativa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), o País conseguiu, em tempo recorde, não apenas dominar as principais estratégias de seqüenciamento do DNA disponíveis no mundo, como ainda produzindo informações totalmente novas para o banco de dados do HGP.

Mais: a estratégia Orestes (abordagem desenvolvida no Brasil) deve tornar-se vital para o próximo passo do Projeto Genoma - a identificação dos genes.

Eles representam apenas cerca de 3% dos 3 bilhões de "letras químicas" que formam nosso DNA, mas são a única parcela que contém a receita para a síntese das proteínas, constitutivas do organismo e responsáveis pelos processos metabólicos.

Em apenas sete meses, os brasileiros já identificaram mais de cem novos genes no cromossomo 22, o primeiro a ser totalmente seqüenciado pelo HGP.

Isso significa quase um quinto dos genes identificados no cromossomo por todos os outros cientistas do mundo.

O Brasil foi também o primeiro país do Hemisfério Sul a seqüenciar integralmente um ser vivo, a bactéria Xylella fastidiosa, o único organismo causador de uma praga agrícola já seqüenciado no mundo. A qualidade do trabalho foi reconhecida internacionalmente e, pouco depois, Estados Unidos e Austrália pediram a colaboração brasileira para seqüenciar bactérias semelhantes.

Xylella - Tudo começou com o Projeto Genoma Xylella, anunciado em outubro de 1997 e iniciado em maio de 1998 por 35 laboratórios do Estado de São Paulo, articulados, sob a batuta da Fapesp, numa rede virtual chamada Onsa (Organization for Nucleotide Sequencies and Analysis) - uma alusão à Tigr, empresa anterior de Craig Venter, presidente da Celera Genomics. O trabalho foi concluído em fevereiro, seis meses antes do prazo.

O sucesso da experiência animou a Fapesp a lançar, em 1999, mais três projetos de seqüenciamento genético: o da xanchomonas, bactéria que afeta os cítricos, o da cana-de-açúcar e, em parceria com o Instituto Ludwig, o Projeto Genoma Câncer, que pretende identificar e seqüenciar os genes responsáveis pelos tipos de câncer mais comuns no Brasil.

Interpretação - A estratégia de trabalho do Genoma Câncer, diferente das anteriores, permite seqüenciar apenas os genes, única parte do DNA que contém a informação para a síntese de proteínas. Isso ocorre porque o seqüenciamento é feito não a partir do DNA, e sim do RNA (ácido ribonucléico) mensageiro, que expressa apenas a parte do genoma que contém os genes. Com isso, o projeto obtém informação essencial para os cientistas do Projeto Genoma Humano interpretarem os dados que estão produzindo.

Dirigido por Andrew Simpson, do Instituto Ludwig, o Projeto Genoma Câncer já depositou mais de 400 mil seqüências de genes no banco de dados do HGP. Com o ganho de velocidade da pesquisa brasileira, prevê-se que até o fim do ano esse número atinja 1 milhão de seqüências, equivalente à quantidade já decodificada pelo National Cancer Institute americano.

Mas o Projeto Genoma brasileiro não pára aí. O Brasil também está investindo pesado para desvendar as funções de cada gene e pesquisar a estrutura das proteínas tridimensionais que cada um deles codifica, duas áreas de ponta da pesquisa genética mundial.

Por outro lado, a Fapesp anunciou na semana retrasada que investirá cerca de R$ 4 milhões no Projeto Genoma Estrutural, dedicado a estudar como as informações genéticas determinam a forma tridimencional das proteínas. Isso é essencial porque toda a construção dos seres vivos e seu funcionamento metabólico são determinados pelas proteínas e seus "encaixes" com outras moléculas. Por último, o Brasil tem feito grandes avanços na bioinformática, área fundamental para processar a colossal massa de informações que as pesquisas estão produzindo.

Do que se trata a Biomedicina?

O curso superior de Biomedicina foi criado com o objetivo de formar profissionais para atuar no desenvolvimento da saúde humana e no saneamento do meio ambiente. O profissional formado em Biomedicina está apto a realizar estudos e pesquisas clínicas, envolvendo as análises clínicas, genética e biologia molecular de fluidos e tecidos humanos. No Brasil, os biomédicos dedicam-se principalmente às análises clínicas (exames laboratoriais), no entanto, muitos desses profissionais atuam como cientistas em centros de pesquisas (Fiocruz, Instituto Butantan, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN), Laboratório Nacional de Luz Síncrotron etc.) e universidades na busca da cura, do diagnóstico, do tratamento e da prevenção de doenças (desenvolvendo vacinas) e novos medicamentos, bem como atuando na pesquisa de DNA.

Dentre as atividades mais comuns, está o ensino universitário em disciplinas biomédicas, tais como Biofísica, Bioquímica, Genética, Histologia, Embriologia, Fisiologia, Farmacologia, Patologia, Imunologia, Microbiologia, Parasitologia etc. O trabalho nas indústrias biotecnológicas envolve a manipulação de enzimas, microrganismos e células, na produção de produtos biologicamente ativos, tais como enzimas, hormônios (insulina por exemplo), antibióticos, vitaminas, vacinas, soros, além de reagentes laboratoriais.

Os biomédicos também realizam testes para averiguação bioquímica e de microrganismos presentes nos alimentos. Na Reprodução Humana, realizam, entre outras atividades, o aconselhamento genético e a seleção de embriões que serão implantados na futura mãe. Nas análises ambientais, realizam análises físico-químicas, microbiológicas e parasitológicas de interesse para o saneamento do meio ambiente, incluídas as análises de água, ar e esgoto.