quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Células-tronco curam paciente com HIV e apresentam possível tratamento

Embora 'paciente de Berlim' seja caso isolado, cura pode dar dicas sobre como vencer luta contra a doença

Um transplante de sangue muito pouco comum parece ter curado um americano que vive em Berlim da infecção do vírus do HIV, embora os médicos alertem que esse método ainda não possa ser usado de maneira ampla.

0812_timothy_ray_brownp

O homem, que tem cerca de 40 anos, teve um transplante de sangue de células-tronco em 2007 para tratar leucemia. Seu doador era não apenas de um tipo sanguíneo compatível com o seu como também tinha uma mutação gênica que fazia com que ele fosse resistente ao HIV.

 

 

Timothy Ray Brown, o 'paciente de Berlim'

Agora, três anos depois, o 'paciente de Berlim', como ficou conhecido Timothy Ray Brown não mostra nenhum sinal de leucemia ou infecção por HIV, de acordo com um relatório divulgado pela revista Blood.

"É uma demonstração interessante de que com medidas extraordinárias um paciente pode ser curado do HIV", mas até o momento é uma terapia muito arriscada para se tornar comum, pois é difícil até mesmo encontrar doadores compatíveis, disse Michael Saag da Universidade de Alabama.

Transplantes de medula óssea - ou, mais comumente hoje em dia, de células tronco - são feitos para tratar câncer, e seu risco se realizados em pessoas saudáveis é desconhecido. Esse tratamento envolve a destruição completa do sistema imunológico do receptor com medicamentos e radiação, e somente então sua substituição com células de doadores que desenvolverão um novo sistema imunológico. A taxa de mortalidade ou complicações desse procedimento podem ser 5% maiores que nos procedimentos tradicionais, disse Saag.

"Não podemos aplicar esse procedimento em indivíduos saudáveis pois o risco é muito alto", afirmou Saag. Quando o 'paciente de Berlim' apareceu pela primeira vez há dois anos, Anthony Fauci, do National Institute of Allergy and Infectious Diseases, afirmou que o procedimento era muito caro e arriscado para se tornar prático como um tipo de cura, mas que pode dar dicas sobre como usar a terapia genética e outros métodos para chegar ao mesmo resultado.

Nesta semana, o Timothy Ray Brown deu uma entrevista à revista alemã Stern contando sua história de cura.

Por: AP e estadão.com.br

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Células-Tronco: Uma nova esperança aos paraplégicos

Pesquisadora do Centro de Biotecnologia e Terapia Celular do Hospital São Rafael (CBTC) realiza análises com células-tronco de medula óssea Um acidente de carro há 18 anos mudou por completo a vida do engenheiro químico paulistano Alexandre Baroni. Hoje, com 42 anos, Alexandre ainda se lembra com riqueza de detalhes quando seu carro capotou por algumas vezes após ele ter pegado no sono ao volante. Com o impacto da batida, o capô afundou e comprimiu sua cabeça, causando-lhe uma lesão completa na 5ª vértebra cervical. Alexandre ficou tetraplégico. Após algum tempo de espera para tentar readquirir os movimentos, mas sem sucesso, o engenheiro se rendeu à sua nova condição de vida, passar o resto dos dias sob uma cadeira de rodas.

Mas o que poderia estar tachado para ser definitivo, tanto para ele como para milhares de outras pessoas com paraplegia, que têm como o grande sonho poder um dia voltar a andar, já há uma esperança para um recomeço. Novas conquistas na medicina já estão sendo alcançadas em pesquisas com células-tronco, realizadas por um grupo de médicos baianos. Depois de muitos meses desenvolvendo o trabalho em cães e gatos com a deficiência física, onde os testes preliminares foram considerados bastante satisfatórios, agora, com pioneirismo no País, será a vez de realizar os testes clínicos em humanos.

Vinte pacientes voluntários participarão, já a partir do mês de agosto, do protocolo de pesquisa com células-tronco de medula óssea, que está sendo realizado pelo Centro de Biotecnologia e Terapia Celular do Hospital São Rafael (CBTC), em Salvador (BA).

De acordo com a coordenadora do projeto, a imunologista Milena Soares, cada pessoa selecionada terá seu material colhido do próprio osso da bacia, depois as células irão para o laboratório para cultivo e testes. Em seguida, o paciente irá novamente para cirurgia, mas dessa vez para a inserção das células na área da coluna que foi fraturada. "A partir desta fase, cada participante da pesquisa passará por um intenso programa de fisioterapia para reabilitação. No total, esse trabalho terá dois anos e a equipe multidiscilpinar envolvida no projeto está bastante otimista", declara a pesquisadora.

Segundo o neurocirurgião Marcus Vinícius, que faz parte da equipe médica do projeto e é o responsável pelo transplante de células, esse trabalho é a ponta do iceberg e muitas outras pesquisas serão realizadas a partir dos resultados desses primeiros testes. "Estamos começando uma estrada, e temos muito caminho a percorrer. Apesar de vários estudos e vários tratamentos, até o momento não existe nada na medicina que resolva o problema, nenhum leva a algum resultado. E estamos tentando gerar um", pontua Marcus Vinícius.

Alexandre Baroni, que saiu de São Paulo há dois anos para assumir em Salvador o cargo de Coordenador Executivo dos Direitos de Pessoas com deficiência do Estado da Bahia, fala sobre a importância do Brasil dar esse passo em uma pesquisa tão importante. "Se nosso país não avançar nas pesquisas, principalmente com células-tronco, elas serão feitas lá fora. E tudo será mais difícil e demorado até chegar aqui. Assim como eu, todos os que passam pelo problema esperamos êxito e que esse trabalho possa trazer melhor qualidade de vida para nós deficientes. A gente aprende a viver em novas condições, mas é indiscutível que se a gente puder, sai da cadeira de rodas", declara.

O neurocirurgião comenta que ainda há vagas para voluntários, pois para esse primeiro momento há uma série de pré-requisitos, a exemplo da lesão não ter sido ocasionada por arma de fogo ou algum material perfurante, e esta ter mais de seis meses. “Os interessados podem se inscrever por meio do email ticiana@cbtc-hsr.org”, recomenda o médico. A pesquisa é realizada pelo Monte Tabor/Hospital São Rafael, em parceria com o Hospital Espanhol, a Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ) e o Centro Universitário da Bahia e é financiada pelo Ministério da Saúde.

Pesquisa ajudará portadores da Doença de Chagas
Além de portadores de paraplegia, o Centro de Biotecnologia e Terapia Celular (CBTC) do Hospital São Rafael vai desenvolver pesquisas com portadores da doença de Chagas, doença adquirida por um parasita e que em muitas pessoas não apresenta sintomas. A pesquisa será para identificar a forma correta do tratamento seja ela terapêutica, imunológica ou por terapia celular, no intuito de bloquear ou inibir a evolução da doença para a forma cardíaca. "Precisamos compreender melhor os motivos pelos quais os indivíduos portadores da forma indeterminada da doença de Chagas vivem tanto tempo sem apresentar os sintomas, mesmo com sorologia positiva, ou seja, coexistindo com a presença de parasitas", diz o imunologista e coordenador do Estudo Multicêntrico de Terapia Celular em Cardiopatia Chagásica, Ricardo Ribeiro, responsável pelo CBTC.

Os estudos serão realizados no Laboratório de Cultura de Células Humanas e no Ambulatório Avançado de Doença de Chagas. Os voluntários a participarem do projeto terão acompanhamento terapêutico para insuficiência cardíaca e total assistência de uma equipe multidisciplinar formada por profissionais de Medicina, Enfermagem, Psicologia, Nutrição e Fisioterapia.

Desenvolvimento
Nomes importantes da pesquisa no Brasil estiveram presentes em Salvador durante inauguração do primeiro Laboratório de Cultura de Células Humanas do Brasil e único no Norte e Nordeste. Para o secretário de Ciência e Tecnologia e Insumos do Ministério da Saúde, Reinaldo Guimarães, a terapia celular é o novo paradigma a ser desvendado quando se trata do cuidado com a saúde humana, e comemora o desenvolvimento do Brasil no setor. “O Ministério da Saúde faz questão de manter o fomento nessa área. Dessa forma a distância que separa o Brasil dos países desenvolvidos, em relação às pesquisas com terapia celular, é muito pequena”, festeja o secretário. Já o presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Carlos Aragão, avalia o momento como um avanço no desenvolvimento social brasileiro.

CTBC
O Centro de Biotecnologia e Terapia Celular do Hospital São Rafael (CBTC) é o primeiro do Norte-Nordeste e um dos oito centros credenciados pelo Ministério da Saúde para manejo de células-tronco a nível de GMP (Good Manufacture Practice ou Boas Práticas de Manufatura). Possui uma área de aproximadamente 700 m2, onde são realizadas pesquisas básicas e aplicadas na área biomédica, e investigações de doenças neurológicas (trauma raquimedular, epilepsia, lesão do nervo periférico); de doenças renais (insuficiência renal aguda), do diabetes (tipos I e II, com foco na regeneração de lesões teciduais), doenças cardiovasculares, doenças hepáticas e do envelhecimento. Sobre este último, são monitorados e identificados os mecanismos que levam à transformação tumoral de células-tronco e a comparação do potencial terapêutico de células de diferentes origens.

Por MARCELLE FACCHINETTI – Terra Notícias

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Celular pode provocar câncer cerebral. Ou não

Estudo mostra que celular aumenta em até 27% a incidência de tumores. Mas os cientistas dizem que isso não prova nada.

cel-cancer A radiação eletromagnética emitida pelos celulares traz risco à saúde? Há duas décadas esse enigma desafia os cientistas. E o maior estudo já feito sobre o assunto, que avaliou 14 mil pessoas em 13 países ao longo de 10 anos e acaba de ser concluído, trouxe as seguintes respostas: sim. Não. Talvez. O estudo, que foi realizado pela Organização Mundial da Saúde, está gerando polêmica na comunidade científica. Isso porque apontou que há associação entre o uso de celular e dois tipos de câncer. Mas com um porém.
O estudo constatou que, no grupo de pessoas que tinham usado o celular durante pelo menos 1 640 horas - o equivalente a meia hora de uso por dia durante 10 anos -, havia 15% mais casos de glioma e 27% mais de meningioma (dois tipos de câncer cerebral). Mas os cientistas dizem que isso não prova nada. "Os dados são imprecisos", declarou Daniel Krewski, biólogo da Universidade de Ottawa e um dos autores da pesquisa. Ele diz que o estudo não avaliou número suficiente de pessoas, e que os portadores de tumores podem ter reportado uso de celular superior ao real - o que teria distorcido os números, criando uma falsa elevação do risco de câncer.
Mas nem todos os pesquisadores aceitam essa explicação. "O estudo da OMS confirmou as descobertas, feitas por vários grupos, de que o celular aumenta o risco de câncer no cérebro", diz o oncologista Lennart Hardell, da Universidade de Orebro (Suécia). Seja como for, os cientistas da OMS querem fazer mais pesquisas. O próximo estudo a respeito pretende avaliar 350 mil usuários de celular - e só será concluído daqui a 20 anos.

por Bruno Garattoni – Revista SUPER

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

4 Gatilhos da dor de cabeça

É hora de fugir deles. Investigamos algumas situações do dia a dia capazes de despertar esse tormento. Preste atenção: o motivo pode estar onde você menos imagina

Ah, dor de cabeça, atire o primeiro analgésico quem nunca a experimentou na vida. É um transtorno tão comum que decidimos pegar emprestado o termo para apelidar qualquer entrave do cotidiano. E, a exemplo dos perrengues que enfrentamos em casa ou no trabalho, as cefaleias — esse é o seu nome de batismo científico — são também um problema frequente. Entre 70 e 95% dos seres humanos registrarão pelo menos um episódio em sua biografia.

Um estudo realizado recentemente pela Sociedade Mineira de Cefaleia revela, após entrevistar mais de 900 funcionários de três empresas de Belo Horizonte, que quase 74% deles tiveram dores de cabeça nos últimos 12 meses. “O impacto é ainda maior sobre as mulheres. Três quartos delas apresentavam dores em níveis moderado e alto”, conta o neurologista Ariovaldo Silva Júnior, presidente da entidade e um dos responsáveis pelo trabalho. “O estresse e as oscilações hormonais podem justificar esses dados".

Há mais de 150 tipos de dor de cabeça. Cerca de 20% das mulheres e 8% dos homens padecem de enxaqueca e quase 20% da população é vitimada pela dor tensional.

As cefaleias são divididas em primárias e secundárias. No segundo grupo, estão as deflagradas por gripes, sinusites, aneurismas… “Entre as primárias, as principais são a enxaqueca e a do tipo tensional”, diz o neurologista Deusvenir de Souza Carvalho, da Universidade Federal de São Paulo. São elas as versões geralmente desencadeadas pelos fatores que apresentaremos a seguir. Nem sempre, porém, dá para culpar um chocolate pelo martírio. “O indivíduo com propensão para o problema crônico sofre muitas vezes de crises independentes de gatilhos”, avisa o neurologista Getúlio Rabello, do Hospital das Clínicas de São Paulo. Daí por que as dores merecem ser averiguadas com o apoio de um especialista.

1 Estresse
O arqui-inimigo da vida moderna não faltaria a uma reunião dos gatilhos de cefaleia. Para quem tem enxaqueca ou dor do tipo tensional, algumas horas no trânsito ou a correria do escritório podem ser fatais. A enxaqueca, cuja crise dura de quatro a 72 horas, se destaca por uma dor pulsante, mais intensa em um lado do crânio e acompanhada por náuseas e sensibilidade a luz e barulho. Já a do tipo tensional surpreende os dois lados da cabeça, sem apertar tanto e durando de 30 minutos a sete dias. Ambas têm, provavelmente, origem genética e são provocadas por erros de interpretação das áreas do cérebro que gerenciam a dor. É como se um estresse físico ou emocional fosse recebido com exagero e, em resposta, detonasse o tormento. “Na enxaqueca, esse estímulo provoca inflamação e dilatação das artérias da meninge, as membranas que recobrem o cérebro”, explica o neurologista Abouch Krymchantowski, diretor do Centro de Avaliação e Tratamento da Dor de Cabeça do Rio de Janeiro. Somado a alterações bioquímicas, esse fenômeno acorda a dor. Para escapar do alvoroço na massa cinzenta, busque manejar a tensão diária: em vez do carro, prefira o metrô, medite, brinque com os filhos, dedique-se a um passatempo…

2 Alimentos e temperos
Uma noite de queijos e vinhos pode resultar em uma madrugada com muita dor de cabeça. Essa dupla é capaz de acionar uma crise em quem já convive com enxaqueca. “Os queijos fornecem substâncias que interferem na química cerebral”, diz Deusvenir Carvalho. A principal delas é a tiramina, que dá as caras quando as proteínas do alimento são quebradas. Ela teria a audácia de incrementar a dilatação dos vasos cerebrais, uma das condições que respondem pela dor. Quanto mais velho o queijo for, mais tiramina ele costuma oferecer. Ninguém está pedindo para abolir o parmesão ou o provolone depois de uma única crise. “Para culparmos o alimento, ele precisa deflagrar o problema de forma repetitiva”, orienta Getúlio Rabello. Outros petiscos são famosos por desencadear enxaquecas, como o chocolate, dono de moléculas que promovem alterações químicas no cérebro, além de frios e embutidos, que carregam nitritos e nitratos, substâncias nocivas que estimulam a dilatação dos vasos. Entre os temperos, cuidado com o molho à base de soja. “Ele contém glutamato monossódico, que também é vasodilatador”, avisa Marco Antônio Arruda. A mensagem é ficar de olho no cardápio e, se detectado o alimento- gatilho, maneirar na porção ou manter distância dele. Do contrário, o banquete está liberado.

3 Bebidas
Nós afirmamos que a aliança entre queijos e vinhos pode ser perigosa, certo? Mas, justiça seja feita, não dá para condenar apenas o derivado do leite. O vinho tinto também oferece moléculas que, como a tiramina, alargam o calibre dos vasos no cérebro. Para piorar ainda mais a vida de alguns enxaquecosos, o néctar de Baco é composto de álcool, outro potente vasodilatador — por isso, há quem sofra também bebericando uísque ou cerveja. “Não é que todo mundo com enxaqueca terá uma crise ao tomar um copo, mas, para alguns predispostos, a dor aparece quando a bebida começa a ser absorvida”, conta Arruda. Ou seja, o suplício pode iniciar à mesa. Não confunda essa dor de cabeça com aquela que escolta a ressaca do dia seguinte. “Nesse caso, o desconforto é resultado da desidratação e da quebra do álcool dentro do corpo”, explica o neurologista Eduardo Mutarelli, do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

4 Abuso de remédios
O tiro saiu pela culatra — talvez seja essa a melhor expressão para definir os riscos de quem se entope de analgésicos com o objetivo de se livrar de dores de cabeça recorrentes. É claro que, em meio a um episódio esporádico, recorrer a um comprimido pode ser o jeito mais rápido e eficaz de silenciar o desconforto. Mas quando o problema é habitual... “Quase dois terços das pessoas com cefaleias diárias abusam desse tipo de remédio”, estima Ariovaldo Silva Júnior, que atua no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais. “E exagerar nesses medicamentos só ajuda a torná-las crônicas”, alerta. É o que chamamos de efeito rebote, porque o cérebro deixa de ser suscetível à droga. “Além disso, alguns analgésicos são prejudiciais a outros órgãos, como o fígado”, lembra Silva Júnior. Nessas situações, não se iluda com a automedicação. Visite um neurologista para apurar o problema. Só ele deve prescrever os remédios que previnem ou aplacam as crises.

por Diogo Sponchiato – Revista SAÚDE

Alho e cebola contra pedra na vesícula

A dupla seria capaz de reduzir a formação de cálculo biliar, sugere um estudo indiano publicado no periódicoBritish Journal of Nutrition. Realizado com roedores, o trabalho mostrou que o dueto aumenta a produção de duas enzimas responsáveis por derrubar naturalmente os níveis de colesterol. “E quase 80% das pedras na vesícula são formadas por esse tipo de gordura”, afirma Ricardo Abdalla, clínico-geral do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Para chegar à conclusão, os cientistas compararam dois grupos de cobaias. Entre os animais alimentados com uma maior quantidade de alho e cebola, houve uma redução de até 30% na incidência dos cálculos.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Hepatite C pode favorecer o diabete – Final

O vírus que causa flagelos ao fígado é acusado agora de financiar o diabete. Felizmente, os cientistas vislumbram uma nova era na caçada ao micro-organismo que já infectou 170 milhões de pessoas ao redor do globo. Veja como eles estão fechando o cerco.

Investigar é preciso. Não só para bolar o contra-ataque mas também para se certificar da necessidade do tratamento, que é protagonizado por uma dupla medicamentosa que deve ser utilizada ao longo de 24 a 48 semanas. O interferon, aplicado por meio de uma injeção, e a ribavirina, uma droga de uso oral, ampliam a ação do sistema imune e desarticulam a devassa no fígado. “A eficácia da terapia chega a 85% nos portadores dos vírus dos tipos 2 e 3 e a 50% se for o tipo 1”, conta o hepatologista Giovanni Faria Silva, da Universidade Estadual Paulista, em Botucatu, no interior de São Paulo. O especialista lidera uma pesquisa internacional com 2 500 pacientes cujo objetivo é verificar até que ponto a terapia surte uma resposta virológica sustentada — o que, cá entre nós, dá para traduzir como cura.

O dilema é que a dupla dinâmica de medicamentos ainda deixa a desejar. “O tratamento apresenta efeitos colaterais expressivos, como anemia e depressão, e metade dos casos da forma mais comum de hepatite C não responde a ele”, lamenta Evaldo de Araujo. Por isso, os cientistas queimam neurônios em busca de estratégias de combate certeiras. Felizmente, já conseguem visualizar, num futuro não tão distante, uma nova era nessa batalha. O pelotão é encabeçado pelos inibidores de protease, comprimidos capazes de anular uma enzima crucial à multiplicação do vírus. “Só que eles não substituem a terapia padrão”, diz Silva. Um estudo americano acaba de mostrar que, aliados ao interferon e à ribavirina, os tais inibidores de protease multiplicam as chances de cura e cortam pela metade o tempo de tratamento.

Para cercar o vírus causador da hepatite C por todos os lados, outros agentes deverão ser recrutados. É o caso dos inibidores de polimerase. “Eles bloqueiam outra enzima necessária à formação de novas partículas virais”, diz o imunologista Ed Gustavo Marins, da Roche, laboratório que desenvolve a droga. A empresa testou em laboratório a parceria entre os dois inibidores e obteve resultados muito promissores. “Notamos que um potencializa o efeito do outro”, afirma Marins. Ainda ninguém sabe, porém, se a dupla, sozinha, seria uma alternativa à terapia atual.

Já foi uma imensa labuta colocar o agente da hepatite C no tribunal. Mas ninguém discute que uma tarefa mais complicada será silenciá-lo em definitivo. Com a palavra, o cientista americano que descobriu o arqui-inimigo do fígado, Qui-Lim Choo: “Ele é como um camaleão, que troca de cor para se adaptar ao ambiente e, assim, escapar das nossas defesas”. Seu colega brasileiro Evaldo de Araujo arremata: “Como o vírus sofre muitas mutações, consegue enganar os anticorpos produzidos pelo organismo”. Esse é o desafio de estudiosos da Universidade de Massachusetts, nos Estados Unidos, que testaram em ratos moléculas que impedem a entrada do vilão nas células — os anticorpos monoclonais. “Esperamos que eles possam ser usados em combinação com drogas antivirais em pacientes recém-diagnosticados”, conta a investigadora Deborah Molrine.

E que tal uma vacina com potencial para prevenir a infecção e, de quebra, auxiliar na terapia convencional? É em cima dessa solução que trabalha o homem que desmascarou o micro-organismo. “Há muitas dificuldades, a começar pela natureza do vírus e por sua variedade”, conta Choo. “Mas já mostramos há 18 anos que o imunizante é capaz de proteger chimpanzés.” A despeito dos entraves — que passam inclusive pelo alto custo das pesquisas —, a vacina deveria agir em duas frentes: instigar a fabricação de anticorpos e estimular as tropas de defesa contra o vírus. Não por menos, poderia ser convocada para incrementar o tratamento, fazendo parte de um coquetel anti-hepatite C. “Estou muito entusiasmado com a ideia”, diz Choo. Se depender dele e dos seus companheiros de luta, o vírus enfrentará, em breve, terríveis anos de chumbo. “Estamos no início do túnel, mas já conseguimos vislumbrar uma claridade”, vale-se da metáfora o médico Giovanni Faria Silva.

Doença rara faz menino de 11 anos envelhecer 5 vezes mais rápido

Harry Crowther, que já sofre de artrite, é um dos 16 pacientes de forma atípica de progéria no mundo

Um menino de 11 anos que sofre de uma rara doença genética está envelhecendo a uma velocidade cinco vezes maior do que seus colegas de classe e sofre de artrite e outras condições relacionadas à velhice.

Harry Crowther, de West Yorkshire, na Inglaterra, sofre de progéria atípica, uma forma um pouco menos severa da progéria clássica conhecida como síndrome de Hutchinson-Guilford.

O menino é menor do que outros garotos da sua idade, não tem gordura corporal e suas feições faciais são semelhantes às de um paciente da síndrome clássica – sua expectativa de vida, porém, pode ser mais alta. A pele de Harry já começou a afinar, seu cabelo cresce lentamente e os ossos de seus dedos e da clavícula começaram a erodir.

No início de abril, ele teve confirmado o diagnóstico de artrite, depois de começar a sentir dor em suas juntas.

O menino toma analgésicos quatro vezes por dia e faz hidroterapia para ajudá-lo a suportar a dor e exercitar as juntas.

A doença de Harry Crowther é tão rara que seu caso é o único confirmado no Reino Unido. Em todo o mundo, apenas 16 casos são conhecidos, segundo o Great Ormond Street Hospital, onde o menino recebe tratamento.

Por sua condição ser tão rara, os médicos não sabem exatamente quais seus prognósticos.

Os pacientes dessa doença normalmente só apresentam sintomas depois do primeiro ano de vida, mas apesar de ter notado “algo estranho”, os pais de Harry só conseguiram confirmar o diagnóstico quando ele tinha sete anos de idade, em um exame nos Estados Unidos.

“Eu vi algumas marcas no corpo de Harry, mas nosso médico disse que se tratavam apenas de marcas de nascença”, disse a mãe dele, Sharron. “Mas como as marcas se tornaram mais pronunciadas, pedi para consultar um especialista.”

“Muitos especialistas tiveram dificuldades em diagnosticar Harry. No fim, alguém disse que, por sua aparência, Harry poderia sofrer de algum tipo de progéria, então fomos ao centro médico UT Southwestern, em Dallas, para confirmar o diagnóstico.”

Ao ouvir a notícia, a reação da família foi mista.

“Inicialmente, ficamos aliviados por saber que não era a progéria clássica de Hutchinson-Gilford, que é muito mais séria”, disse Sharron. “O lado ruim é que não há outras famílias com quem possamos falar sobre isso. O Harry é o único menino do país com a doença.”

A expectativa de vida de pacientes de progéria clássica vai até a adolescência, mas há casos de pacientes da síndrome atípica que viveram até mais de 30 anos de idade.

O jovem, que também é escoteiro e anda de skate e bicicleta, tem que manter uma dieta baixa em gorduras e realizar atividades físicas, mas ele fica cansado rapidamente.

“A doença não para Harry – ele segue vivendo”, disse sua mãe.

Sua saúde tem que ser monitorada constantemente, já que pacientes da doença costumam desenvolver problemas cardíacos.

A doença é causada por uma mutação no gene LMNA (conhecido como o gene do envelhecimento), que faz com que ele envelheça a uma velocidade muito mais rápida do que o normal.

A família do menino criou uma página no Facebook para divulgar informações sobre a doença e ajudar outras pessoas que tenham sintomas semelhantes e não tenham conseguido diagnosticar a doença.